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Resultados da pesquisa "Desigualdades de aprendizado no ensino fundamental brasileiro: insumos e processos escolares"

O Portal IDeA convida para a apresentação dos resultados da pesquisa Desigualdades de aprendizado no ensino fundamental brasileiro: insumos e processos escolares.

No dia 06 de maio, quinta-feira, das 14:00 às 16:00, a professora Flávia Pereira Xavier, da Faculdade de Educação da UFMG, apresentará resultados da pesquisa Desigualdades de aprendizado no ensino fundamental brasileiro: insumos e processos escolares, realizada como pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unicamp, no Focus – Grupo de Pesquisa em Educação, Instituições e Desigualdade –, sob supervisão da professora Ana Maria F. Almeida. O evento será mediado pelo professor Mauricio Ernica, da Faculdade de Educação da Unicamp e do grupo Focus, e contará também com a participação da professora Mariane Campelo Koslinski, da Faculdade de Educação da UFRJ, que debaterá o trabalho. A transmissão ocorrerá por este link: https://youtu.be/oF3WOIMVpU0

A pesquisa Desigualdades de aprendizado no ensino fundamental brasileiro: insumos e processos escolares investigou se fatores de insumos e processos escolares afetam tanto a qualidade quanto a equidade educacional nas escolas públicas brasileiras de ensino fundamental. Como indicador de insumo, foi utilizado o nível de infraestrutura escolar e, como indicadores de processos, foram utilizados o currículo cumprido, a gestão de classe, as expectativas docentes e intervenções para melhoria do aprendizado e a promoção dos alunos. Com base nos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2017, por meio de regressões logísticas multiníveis, foram estimadas as chances de os estudantes estarem no nível adequado de aprendizado em Matemática no 5º ano e no 9º ano do ensino fundamental. Para analisar a equidade entre grupos, observamos as distâncias das chances de aprendizado entre grupos sociais e o impacto do insumo e dos produtos analisados na redução das desigualdades entre grupos definidos por origem socioeconômica, sexo, cor e pela repetência prévia dos alunos.

Os principais resultados foram os seguintes. Por um lado, no que diz respeito à qualidade da aprendizagem, estudantes de escolas com melhor infraestrutura e melhores processos têm maiores chances de estar no nível adequado de aprendizagem em Matemática. Contudo, quando são analisadas as desigualdades entre grupos sociais, essa associação não se verifica do mesmo modo. Tanto a melhoria da infraestrutura escolar quanto a da maior parte dos processos não estão associados à promoção da equidade e, inclusive, podem conviver com níveis elevados de desigualdade. Os fatores mais fortemente associados à redução das desigualdades são as intervenções da escola diretamente voltadas à melhoria do aprendizado e à promoção dos estudantes.

Esses resultados não só contribuem para o entendimento de nosso sistema de ensino, como também se abrem para a discussão de políticas públicas voltadas à afirmação do direito à educação de qualidade para todos os grupos sociais. Se insumos e processos de qualidade são indiscutivelmente importantes para assegurar esse direito, o que a pesquisa evidencia é que sua oferta universal não assegura a redução das desigualdades. Para esse fim, é necessário, também, que sejam construídas políticas públicas específicas e que incidam sobre as práticas pedagógicas.

 No número anterior da newsletter do Portal IDeA divulgamos outra pesquisa recente da professora Flávia Xavier, em co-autoria com Maria Teresa Gonzaga Alves. Para reler a newsletter clique aqui.