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Com o fechamento das escolas pela Covid-19, as crianças do mundo vão ao trabalho

Leia a reportagem original do The New York Times, publicada no dia 27 de setembro de 2020 aqui

Trazendo situações de trabalho infantil na Índia, Indonésia e Quênia, a reportagem apresenta o cenário atual em diversos países em desenvolvimento nos quais as crianças, afastadas das escolas pela pandemia, estão trabalhando para ajudar no sustento de suas famílias. Muitos especialistas em infância acreditam que com a evasão e o ganho financeiro para as famílias, será muito difícil fazer essas crianças retornarem às escolas.

Representantes das Nações Unidas estimam que pelo menos 24 milhões de criança irão evadir e vários milhões passarão a trabalhar, colocando em risco os progressos vistos nas matrículas, alfabetização, mobilidade social e saúde em diversas partes do mundo. De acordo com Cornelius Williams, UNICEF, “todos os ganhos que foram feitos, todo o trabalho que estávamos fazendo irá retroceder, especialmente em lugares como a Índia”.

O trabalho infantil é apresentado como uma das facetas de um desastre global para essa faixa etária. Os autores ainda citam a fome extrema que assola as crianças em países como Afeganistão e Sudão do Sul, o aumento de casamentos forçados de meninas na África e Ásia, o tráfico de crianças, a explosão da gravidez precoce em Uganda e a prostituição das adolescentes no Quênia.

Diante desse cenário, ativistas pela infância perguntam: se há a abertura de outras áreas da sociedade (restaurantes, bares, academias etc.) por que não abrir as escolas ou, pelo menos, discutir sua abertura? Cornelius Williams afirma que os líderes mundiais que realmente acreditam na educação “deveriam usar os recursos para as escolas”, mas não o estão fazendo, o que o leva a questionar “ isso é porque os adultos têm agência, têm uma voz mais forte e o poder do voto?”.

Por outro lado, o governo da Índia, por exemplo, afirma que o corona vírus não lhes deixa alternativa. No país as novas infecções chegam a 100.000 por dia e as crianças seriam, na opinião dos representantes governamentais, um vetor de propagação já que teriam dificuldade em manter o distanciamento social.