IDeA

Eixo 4 – Efeito-território e experiências de parceria escola-família-comunidade

A incorporação da dimensão socioespacial ao estudo das desigualdades educacionais tem constituído um dos traços mais marcantes da pesquisa em Educação nas últimas décadas, configurando uma ampliação do campo de observação dos pesquisadores para além das variáveis tradicionais relativas à classe, à raça e ao gênero. Ao mesmo tempo, tem-se verificado certa tendência de espacialização das políticas públicas na área, como, por exemplo, as políticas de deslocamento de alunos entre bairros, nos EUA (busing) – que remontam aos anos 1970 – ou, posteriormente, as “Zonas de Educação Prioritária” na França e na Inglaterra, a partir dos anos 1980.

No que diz respeito à pesquisa educacional, o resultado mais notável dos estudos foi a formulação do conceito de “efeito-território” e suas noções correlatas de “efeito-vizinhança” e de “geografia de oportunidades”, relativas à influência do entorno e de sua oferta de estabelecimentos de ensino. O efeito-território se refere ao impacto das características sociais da zona de residência sobre as condições educacionais de seus moradores, após o controle estatístico do nível socioeconômico. Por “condições educacionais” compreendem-se, aqui, tanto os aspectos de impacto mais direto sobre o desempenho escolar (nível de aspiração e de informação das famílias, por exemplo), quanto fatores mais abrangentes como as redes de sociabilidade e os processos de socialização nos quais os jovens estão imersos.

Esse tipo de análise – que decorreu originalmente da investigação das relações complexas entre os fenômenos da segregação urbana e da segregação escolar – tem-se mostrado particularmente relevante para a compreensão das condições de escolarização em territórios ditos “vulneráveis”, e, portanto, das relações entre educação e pobreza. Segundo as pesquisas, esses territórios exercem um efeito negativo sobre as oportunidades educacionais, e o fazem de modo cumulativo, pela ação simultânea de desvantagens de ordens diversas: moradias degradadas, falta de equipamentos públicos, criminalidade/violência, condições escolares desfavoráveis, estigmatização residencial, dentre outras.

É nesse contexto que se deve entender o surgimento de iniciativas territorializadas de combate às desvantagens educacionais, as quais se estendem para além da escola, contemplando intervenções na comunidade, mobilizando parcerias e potencializando recursos provenientes tanto do poder central quanto das comunidades locais.

Este Eixo 4 reúne, basicamente, dois grupos de trabalhos: (i) alguns de caráter diagnóstico, que têm por objetivo mensurar e analisar o efeito-território em diferentes situações urbanas; (ii) outros que documentam e/ou avaliam experiências de intervenção, emanadas do poder público ou da sociedade civil, as quais estabelecem parcerias entre escola, família e comunidade no combate às iniquidades educacionais.

O primeiro grupo reúne a totalidade dos estudos relativos à realidade brasileira, além de pesquisas em língua francesa e em língua inglesa. Inclui desde estudos que examinam de modo mais geral as dinâmicas entre a segregação residencial e as desigualdades escolares até trabalhos que chegam aos mecanismos pelos quais o efeito-território atua, tais como: a oferta de Educação Infantil; as características do corpo docente; os processos de evitamento de determinados estabelecimentos de ensino pelas famílias; a concorrência, entre as escolas, pelos “bons alunos”. Cabe ressaltar que um dos trabalhos em língua inglesa analisa o efeito-território em uma situação bastante específica, resultante da implementação do Programa Moving to Opportunity (MTO) nos Estados Unidos, o qual realoca a moradia de famílias de regiões de alto nível de pobreza para outras de baixo nível de pobreza.

No segundo grupo, três textos em língua francesa têm por finalidade fazer um balanço de programas de colaboração entre a escola e a comunidade existentes em diversos países, descrevendo sistematicamente suas características (objetivos, público-alvo, estratégias, resultados etc.) e seu alcance, que pode envolver recursos provenientes de diferentes esferas do mundo social (saúde, justiça, assistência social, empresas etc.). Enquanto isso, em língua inglesa encontram-se trabalhos que focalizam programas específicos desenvolvidos nos Estados Unidos, avaliando seus limites e potencialidades. Vários desses estudos acabam por fornecer uma resposta à constatação do efeito negativo que o território vulnerável pode exercer, na medida em que evidenciam intervenções focadas nos potenciais existentes na comunidade.

Apesar de constituírem um conjunto bastante diverso e heterogêneo, esses textos, tomados em seu conjunto, indicam que não mais parece possível, nos dias que correm, conceber políticas de equidade educacional sem levar em consideração o território e a comunidade como fatores de influência nos processos de escolarização.

The incorporation of the socio-spatial dimension in the study of educational inequalities has been one of the most striking characteristics in the Education research in the last decades, setting a widening of the observation field for researchers that go beyond the traditional variables related to class, race, or gender. Simultaneously, we see a certain tendency of spatialization of public policies in the area, as, for example, the policies do transport students between neighborhoods in the USA (commonly known as busing) which started in the 1970s- or later the “ Educational Priority Areas” in England and in France ( Zone d’éducation prioritaire) since the 1980s.

Regarding educational research, the most notable research was the formulation of the concept of “territory effect” and its correlated notions of “neighborhood effect” and “geography of opportunities”, related to the influence of the environment and its school offer. The territory effect refers to the impact of social characteristics of the area of residence on the educational condition of its inhabitants, after the statistical control of the socioeconomic level. By “educational conditions” we understand here the aspects of direct impact in the academic achievement (level of aspiration and information of the families, for instance), as well as broader approaches such as the sociability network and the socialization processes in which the youngsters are immersed.

This type of analysis- that originated from the investigation of the complex relations between the phenomena of urban segregation and school segregation- has been showing itself particularly relevant to understand the conditions of schooling in areas considered to be “vulnerable” and, therefore, the relations between education and poverty. According to the researches, these areas have a negative effect on educational opportunities, and those are cumulative, due to the simultaneous action of different types of disadvantages: bad housing conditions, lack of public equipment, criminality/violence, unfavorable school conditions, residential stigma, among others.

It is in this type of context that we should understand the creating of territorialized initiatives to combat educational disadvantages, which go beyond school itself, contemplating interventions in the community, mobilizing partnerships, and potentializing resources from the central power as well as from local communities.

The first group assembles all studies related to Brazilian reality, besides researches on French and English. It includes studies that examine in a broader way the dynamics between residential segregation and school inequalities, as well works that get to the mechanisms through which such territory effect takes place, such as: offer of childhood education; characteristics of teaching staff; processes used by families to avoid certain schools; competition between school for the “good students”. It is worth highlighting that one of the works in English analyses the territory effect in a very specific situation, resulting from the implementation of the Program MTO (Moving to Opportunity) in the United States, which relocates families from high poverty areas to others with lower poverty levels.

In the second group, three texts in French aim to take stock of programs of collaboration between school and community in different countries, describing systematically their characteristics ( objectives, target public, strategies, results, etc.) and their reach, that can involve resources from different spheres of the social world ( health, legal, social assistance, companies, etc). In English, there are works focusing in specific programs developed in the United States, evaluating their limits and potentialities. Many of those studies end up giving an answer to the negative effect that the vulnerable territory can establish, as they shed light onto interventions focuses on the potentials in the community.

Even though, they are a set of very diverse and heterogenous works, these texts, when considered as a whole, indicate that it does not seem possible nowadays to understand policies of educational equity without considering the territory and the community as influence factors in schooling processes.

Inglês

CATAMBIS, S; BEVERIDGE, A. Does Neighborhood matter? Family, neighborhood, and school influences on eight-grade mathematics achievement. Sociological Focus, v. 34, n. 4, SPECIAL ISSUE: Educational Stratification and the Life Course, p. 435-457, Oct./Nov., 2001.

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00380237.2001.10571212

Abstract/résumé/resumo: This paper explores ways by which neighborhoods and schools may influence the mathematics achievement of eighth grade students. We use data from the National Educational Longitudinal Study (NELS: 88) and combine it with U.S. Census data at the level of students’ residential zip codes. These data allow us to analyze simultaneously all aspects of students’ lives: their families, neighborhoods, and schools. Our findings suggest that “bringing neighborhood in” makes sense for this line of research. Disadvantages at the neighborhood and school level may place students at risk, by influencing students and their achievement in mathematics directly and indirectly. We find that both disadvantaged neighborhoods and disadvantaged schools are directly associated with lower levels of mathematics achievement, even after controlling for individual level background variables. Disadvantaged neighborhoods are also indirectly associated with students’ mathematics achievement, by weakening parents’ ability to help children succeed in school. Despite these difficulties, parents may be able to overcome, to some degree, neighborhood disadvantages by frequently communicating with their children, closely monitoring their activities, and providing extra learning opportunities for them.

Este artigo explora formas por meio das quais as vizinhanças e as escolas podem influenciar o resultado em matemática dos alunos do 8º ano. Usamos dados do National Educational Longitudinal Study (NELS: 88) combinados com o Censo dos EUA relativos aos CEPs das residências dos alunos. Esses dados nos permitiram analisar simultaneamente todos os aspectos das vidas dos estudantes: suas famílias, vizinhanças e escolas. Nossos resultados sugerem que “trazer a vizinhança” faz sentindo dentro dessa linha de pesquisa. As desvantagens no nível da escola e da vizinhança podem colocar os estudantes em risco, influenciando, direta ou indiretamente, os alunos e seus resultados em matemática. Descobrimos que tanto as vizinhanças como as escolas mais carentes estão diretamente associadas com níveis mais baixos de desempenho em matemática, mesmo depois de controladas as variáveis relativas ao background individual. As vizinhanças mais carentes estão também diretamente ligadas aos resultados em matemática dos alunos ao enfraquecerem a capacidade dos pais em ajudar seus filhos a obter sucesso escolar. Apesar dessas dificuldades, os pais podem superar, até certo nível, as desvantagens de vizinhança ao se comunicar frequentemente com os filhos, monitorar de perto suas atividades e oferecer-lhes oportunidades extras de aprendizagem.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos

DOBBIE, Will; FRYER Junior, Roland. Are High-Quality Schools Enough to Increase Achievement Among the Poor? Evidence from the Harlem Children’s Zone. American Economic Journal: Applied Economics, v. 3, n. 3, 2011.

http://www2.econ.iastate.edu/classes/econ321/orazem/Fryer_high_quality_schools.pdf

Abstract/résumé/resumo: Harlem Children’s Zone (HCZ), an ambitious social experiment, combines community programs with charter schools. We provide the first empirical test of the causal impact of HCZ charters on educational outcomes. Both lottery and instrumental variable identification strategies suggest that the effects of attending an HCZ middle school are enough to close the black-white achievement gap in mathematics. The effects in elementary school are large enough to close the racial achievement gap in both mathematics and ELA. We conclude with evidence that suggests high-quality schools are enough to significantly increase academic achievement among the poor. Community programs appear neither necessary nor sufficient.

A Harlem Children’s Zone (HCZ) é um experimento social ambicioso que combina programas comunitários com charter schools. Fizemos o primeiro estudo empírico dos impactos causais das HCZ charters nos resultados educacionais. Tanto a loteria como as estratégias de identificação de variáveis instrumentais sugerem que os efeitos de frequentar um HCZ no middleschool são suficientes para diminuir o gap de rendimento entre negros e brancos em matemática. Os efeitos no ensino fundamental são suficientemente altos para diminuir os gaps de rendimento por raça em matemática e linguagem. Concluímos com evidências que sugerem que escolas de alta qualidade são suficientes para aumentar significativamente o rendimento acadêmico entre os pobres. Os programas comunitários não parecem ser necessários ou suficientes.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Harlem, NY (EUA)

GALINDO, Claudia; SANDERS, Mavis; ABEL, Yolanda. Transforming Educational Experiences in Low Income Communities: A Qualitative Case Study of Social Capital in a Full-Service Community School. American Educational Research Journal, v. 54, p. 140-163, 2017.

http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.3102/0002831216676571?journalCode=aera

Abstract/résumé/resumo: Full-service community schools aim to reduce educational inequality by addressing the multifaceted needs of low-income children and youth. Critical to this task is the ability of these schools to generate sufficient social capital to provide students, families, and teachers with essential resources. Using data from a qualitative case study, this article explores how social capital was manifested in an urban full-service community elementary school. Findings show that the principal, teachers, and staff were important sources of school-based social capital, which enabled the provision of services to students and families. However, resource scarcity and interethnic tensions threatened the expansion of social capital and the school’s transformative potential. We discuss implications of these findings for the theory, research, and practice of full-service community schools.

Keywords: full-service community schools, racial/ethnic tensions, social capital, threats to social capital.

Escolas de atendimento completo à comunidade objetivam reduzir a desigualdade educacional abordando as necessidades multifacetadas das crianças e dos jovens de baixa renda. Um ponto-chave para essa tarefa é a habilidade dessas escolas em gerar capital social suficiente para fornecer aos alunos, famílias e professores os recursos essenciais necessários. Usando dados de um estudo de caso qualitativo, esse artigo explora como o capital social se manifesta em uma escola de ensino fundamental que oferece um atendimento completo à comunidade. Os resultados mostram que o diretor, professores e demais funcionários são fontes importantes do capital social baseado na escola, que permitiram o fornecimento de serviços para os alunos e suas famílias. Contudo, a falta de recursos e tensões inter-raciais ameaçam a expansão do capital social e do potencial transformador da escola. Discutimos as implicações dessas descobertas para a teoria, pesquisa e prática das escolas de atendimento completo à comunidade.

Palavras-chave: escolas de atendimento completo à comunidade, tensões raciais/étnicas, capital social, ameaças ao capital social.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos

LEVENTHAL, T. BROOKS-GUNN, J. A Randomized Study of Neighborhood Effects on Low Income Children’s Educational Outcomes. Developmental psychology, v. 40, n. 4, p. 488-507, 2004.

https://psycnet.apa.org/record/2004-15557-003

Abstract/résumé/resumo: Experimental data from the Moving to Opportunity for Fair Housing Demonstration were used to examine (a) if moving from high to low-poverty neighborhoods (via randomization) was associated with low-income minority children’s achievement, grade retention, and suspensions/expulsions; (b) if moving minimized gender differences in these outcomes; and © potential mediators of observed program effects. Data on school-age children (mean age = 11.79 years, SD = 3.26) were obtained from standardized assessments and parent and adolescent interviews during the New York City site’s 3-year follow-up evaluation (N = 588). Moving to low-poverty neighborhoods had positive effects on 11-18-year-old boys’ achievement scores compared with those of their peers in high-poverty neighborhoods. These male adolescents’ scores were comparable to females’ scores, whereas male adolescents in high-poverty neighborhoods scored 10 points lower than female peers. Homework time and school safety partially accounted for program effects. From a policy perspective, the program benefited disadvantaged male adolescents at high risk for dropping out of school.

Dados experimentais do programa Moving to Opportunity for Fair Housing Demonstration foram usados para analisar (a) se a mudança de uma vizinhança mais pobre para outra menos pobre (aleatoriamente) estava associada com o resultado escolar, repetência e suspensões de alunos de grupos minoritários com alto nível de pobreza; (b) se a mudança minimizava as diferenças de gênero dos resultados; e © os possíveis mediadores dos efeitos observados no programa. Dados sobre as crianças em idade escolar (idade média = 11,79 anos, desvio-padrão = 3,26) foram obtidos por meio de avaliações-padrões e entrevistas com os pais e os adolescentes durantes os três anos de avaliação posterior in loco na cidade de Nova York (N = 588). A mudança para vizinhanças com níveis mais baixos de pobreza teve resultado positivo nos resultados de meninos entre 11 e 18 anos quando comparados aos seus pares em vizinhanças mais pobres. Os resultados dos adolescentes foram comparáveis aos das adolescentes, enquanto que nas vizinhanças mais pobres os adolescentes tiveram 10 pontos a menos do que seus pares femininos. O tempo de dever de casa e a segurança da escola pode ser parcialmente responsável pelos efeitos do programa. Do ponto de vista da política, o programa beneficiou os adolescentes menos privilegiados que estavam em risco de abandonar a escola.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Nova York (EUA)

SHELDON, Steven; EPSTEIN, Joyce. Involvement Counts: Family and Community Partnerships and Mathematics Achievement. Journal of Educational Research, v. 98, p. 196-207, 2005.

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3200/JOER.98.4.196-207

Abstract/résumé/resumo: National and international studies have made student performance in mathematics a high priority in schools. Using longitudinal data from elementary and secondary schools, the authors examined the connections between specific family and community involvement activities and student achievement in mathematics at the school level. After the authors controlled for prior levels of mathematics achievement, analyses indicated that effective implementation of practices that encouraged families to support their children’s mathematics learning at home was associated with higher percentages of students who scored at or above proficiency on standardized mathematics achievement tests. Findings suggest that subject-specific practices of school, family, and community partnerships may help educators improve students’ mathematics skills and achievement.

Keywords: community involvement, mathematics, parente involvement, partnerships, student achievement.

Estudos nacionais e internacionais fizeram do desempenho estudantil em matemática uma prioridade elevada para as escolas. Utilizando dados longitudinais de escolas de ensino fundamental e secundário, os autores analisaram as conexões entre atividades específicas de envolvimento familiar e comunitário e rendimento dos alunos em matemática. Após os autores controlarem os níveis anteriores de rendimento em matemática, as análises indicaram que a implementação efetiva de práticas que encorajavam as famílias a apoiar a aprendizagem de matemática das crianças em casa estavam associadas com percentagens mais altas de estudantes que tiveram nota igual ou acima da proficiência em testes padronizados de matemática. Os resultados sugerem que práticas específicas em torno de uma disciplina que envolvam uma parceria entre escola, família e comunidade podem ajudar o educador a melhorar as habilidades e o resultados dos alunos em matemática.

Palavras-chave: envolvimento comunitário, matemática, envolvimento parental, parcerias, desempenho estudantil.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos

WALSH, Mary; MADAUS, George; RACZEK, Anastasia; DEARING, Eric; FOLEY, Claire; AN, Chen; LEE-ST. JOHN, Terrence; BEATON, Albert. A New Model for Student Support in High-Poverty Urban Elementary Schools: Effects on Elementary and Middle School Academic Outcomes. American Educational Research Journal, v. 51, p. 704-737, 2014.

http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.3102/0002831214541669

Abstract/résumé/resumo: Efforts to support children in schools require addressing not only academic issues, but also out-of-school factors that can affect students’ ability to succeed. This study examined academic achievement of students participating in City Connects, a student support intervention operating in high-poverty elementary schools. The sample included 7,948 kindergarten to fifth-grade students in a large urban district during 1999–2009. School- and student-level treatment effects on report card grades and standardized test scores in elementary through middle school were estimated. Propensity score methods accounted for pre-intervention group differences. City Connects students demonstrated higher report card scores than comparisons and scored higher on middle school English language arts and mathematics tests. This study provides evidence for the value of addressing out-of-school factors that impact student learning.

Keywords: student support, academic outcomes, elementary schools, poverty.

Os esforços para apoiar as crianças nas escolas requerem lidar não apenas com questões acadêmicas, mas também com fatores extraescolares que podem afetar as habilidades dos alunos de ter sucesso. Esse estudo analisa o rendimento acadêmico de estudantes participantes do City Connects, uma intervenção de apoio ao aluno que funciona em escolas fundamentais com alto nível de pobreza. A amostra incluiu 7.948 alunos do jardim de infância até o 5º ano em um grande distrito escolar entre 1999 e 2009. Foram estimados os efeitos desse programa nas notas do boletim dos alunos e nos resultados em testes padronizados dos 5 aos 14 anos. Métodos de propensity score contabilizaram as diferenças pré-intervenção entre os grupos. Os alunos participantes do City Connects demonstraram maiores notas nos boletins escolares do que os pares e tiveram notas maiores durante os testes de matemática e linguagem no middle school. Esse estudo evidencia a importância de se lidar com fatores extraescolares que impactam a aprendizagem estudantil.

Palavras-chave: apoio estudantil, resultados acadêmicos, escolas de ensino fundamental, pobreza.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Boston (EUA)

ZHANG, H.; COWEN, D. J. “Mapping Academic Achievement and Public School Choice Under the No Child Left Behind Legislation.” Southeastern Geographer, v. 49, n. 1, p. 24-40, 2009.

https://muse.jhu.edu/article/259849

Abstract/résumé/resumo: The geography of educational outcomes and school choice remains an under-researched area. This article investigates factors associated with the spatial aspects of academic achievement gap and explores the geographical inequalities of public school choice in South Carolina in the context of the No Child Left Behind (NCLB) Act. It is found that public schools with large minority enrollments and concentrated poverty are more likely to be labeled as “in need of improvement” regardless of urban, suburban, or rural locality. Independent samples t-test and multiple regression results show that academic achievement is sensitive to poverty, teacher turnover rate, and neighborhood socioeconomic status. In addition, we found that rural failing schools are in a disadvantaged position in terms of public school choice required by the NCLB legislation. Findings from the current research inform education policymakers the importance of addressing the spatial aspects of educational phenomena.

A geografia dos resultados educacionais e a escolha da escola continuam sendo áreas pouco pesquisadas. Esse artigo investiga os fatores associados com aspectos espaciais no gap de desempenho acadêmico e explora as desigualdades geográficas da escolha da escola pública na Carolina do Sul dentro do contexto do ato No Child Left Behind (NCLB). Descobriu-se que as escolas públicas com alto índice de matrícula de alunos de minorias e concentração de pobreza tinham mais chances de ser rotuladas como “devem melhorar”, independentemente da localização (urbana, suburbana ou rural). Amostras independentes t-test e resultados de regressões múltiplas mostram que o rendimento acadêmico é sensível à pobreza, à taxa de rotatividade dos professores e ao status socioeconômico da vizinhança. Além disso, descobrimos que escolas rurais deficientes estão em uma posição de desvantagem em termos de escolha de escola pública demandada pela legislação NCLB. Os resultados da presente pesquisa informam os criadores de políticas públicas sobre a importância de abordar aspectos espaciais no fenômeno educacional.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Carolina do Sul (EUA)

Francês

BAUMANN BURGOS, Marcelo. Devenir élève au Brésil en contexte ségrégué. Un défi impossible?, Espaces et sociétés, v. 166, n. 3, p. 113-125, 2016.

https://www.cairn.info/revue-espaces-et-societes-2016-3-p-113.htm

Abstract/résumé/resumo: La massification de l’accès à l’école au Brésil se développe à partir des années 1970, avec l’arrivée croissante des enfants et des adolescents issus de familles populaires. Ce processus est directement lié à la transition démocratique du pays, alors que la Constitution de 1988 donne une place nouvelle aux droits de l’enfant et de l’adolescent dans le système juridique brésilien, et affirme le droit à l’apprentissage scolaire. Cet article décrit le contexte général de développement de ce processus de massification et, plus spécifiquement, interroge les modalités de construction de l’identité d’élève chez les enfants et adolescents de classes populaires, en lien avec les “effets de lieu”. Cet article s’appuie sur une étude de cas qui analyse l’accès au droit à l’éducation scolaire des enfants et des adolescents qui vivent dans une grande favela de Rio de Janeiro.

A massificação do acesso à escola no Brasil se desenvolve a partir dos anos 1970, com a chegada crescente de crianças e adolescentes provenientes de classes populares. Esse processo está diretamente ligado à transição democrática do país, uma vez que a Constituição de 1988 dá um novo espaço para os direitos das crianças e adolescentes dentro do sistema jurídico brasileiro e afirma o direito à aprendizagem escolar. Esse artigo descreve o contexto geral de desenvolvimento desse processo de massificação e, mais especificamente, questiona as formas de construção da identidade de aluno entre as crianças e adolescentes de classes populares, relacionando com o “efeito-lugar”. Este artigo se apoia em um estudo de caso que analisa o acesso ao direito à educação escolar de crianças e adolescentes moradoras de uma grande favela do Rio de Janeiro.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Rio de Janeiro, Brasil

BILODEAU, A. ; LEFEBVRE, C., DESHAIES ; S., GAGNON ; F., BASTIEN, R.; BELANGER, J. ; COUTURIER, Y.; POTVIN, M.; CARIGNAN, N. Les interventions issues de la collaboration école-communauté dans quatre territoires montréalais pluriethniques et défavorisés. Service social, v. 57, n. 2, p. 37-54, 2011.

https://www.erudit.org/fr/revues/ss/2011-v57-n2-ss5004227/1006292ar.pdf

Abstract/résumé/resumo: Cet article décrit les interventions issues de la collaboration école-communauté, en contexte montréalais pluriethnique et socio-économiquement défavorisé, en vertu de leurs domaines d’activités, des objectifs qu’elles poursuivent, des populations visées et des stratégies déployées. Les interventions sont comparées pour les deux ordres d’enseignement. La composition des réseaux d’acteurs de même que les structures et la dynamique collaboratives à la base des interventions sont aussi décrites. L’article discute de la correspondance entre ces interventions et les orientations des politiques publiques en éducation et en santé en vertu desquelles elles sont déployées. Enfin, il interpelle les acteurs quant aux potentialités et limites de ce type d’interventions comme stratégie de soutien à la réussite éducative en contexte pluriethnique et défavorisé.

Mots-clés: collaboration école-communauté, activités parascolaires, réussite éducative en milieu pluriethnique et défavorisé.

Esse artigo descreve as intervenções provenientes da colaboração escola-comunidade, em um contexto pluriétnico e desfavorecido em Montreal, a partir das suas áreas de atividades, dos objetivos pretendidos, das populações visadas e estratégias utilizadas. As intervenções são comparadas nos dois níveis de ensino. Além disso, são descritas a composição das redes de atores, assim como as estruturas e dinâmicas colaborativas na base das intervenções. O artigo discute a correspondência entre essas intervenções e as orientações de políticas públicas em educação e saúde sob as quais são implantadas. Por fim, interpela os atores quanto às potencialidades e limites desses tipos de intervenção como estratégia de apoio ao sucesso educacional em contexto pluriétnico e desfavorecido.

Palavras-chave: colaboração escola-comunidade, atividades paraescolares, sucesso acadêmico em contexto pluriétnico e desfavorecido.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Montreal (Canadá)

BLAYA, Catherine et al. « Accrochage scolaire et alliances éducatives : vers une intégration des approches scolaires et communautaires. » Éducation et Francophonie, v. 39, n. 2, p. 227-249, automne, 2011.

https://www.erudit.org/fr/revues/ef/2011-v39-n2-ef05/1007736ar.pdf

Abstract/résumé/resumo: À partir d’une revue des facteurs de risque du décrochage scolaire et en vue d’illustrer le caractère multidimensionnel de la problématique, le présent texte montre l’importance des facteurs scolaires et en particulier la prégnance des effets de l’étiquetage et du climat scolaire sur le phénomène du décrochage. Si l’école peut générer de l’exclusion, elle peut aussi, dans certains cas, cultiver des facteurs de protection, par exemple par des relations de soutien, d’empathie et d’accompagnement individualisé, qui peuvent faciliter l’accrochage scolaire de jeunes à risque. Dans ce contexte, nous illustrons l’approche scolaire du traitement du décrochage en décrivant des structures qui permettent aux élèves en difficulté de sortir, pour des périodes plus ou moins courtes, d’un environnement scolaire avec lequel ils entretiennent des interactions problématiques pour les amener à se reconstruire dans des lieux qui offrent des possibilités de réinvestissement affectif et cognitif. À côté de cette approche scolaire, se développe depuis une quinzaine d’années une autre approche qualifiée de communautaire, car elle mobilise un ensemble très large d’acteurs de toutes les sphères de la société qui peuvent contribuer à l’accrochage scolaire et à l’insertion socioprofessionnelle des jeunes. Cette approche est illustrée à travers l’exemple de la recherche collaborative menée en Communauté française de Belgique et qui vise la mise en place d’un dispositif de concertation intersectorielle de lutte contre le décrochage scolaire. Enfin, dans la dernière partie de ce texte nous avançons quelques propositions pour une approche qualité dans la mise en place, l’analyse et la régulation de nouvelles alliances éducatives incorporant les approches scolaire et communautaire.

A partir de uma revisão dos fatores de risco do abandono escolar e a fim de ilustrar o caráter multidimensional dessa problemática, o presente texto mostra a importância de fatores escolares e, em particular, a força dos efeitos de rotulação e do clima escolar no fenômeno do abandono escolar. Se a escola pode gerar exclusão, ela pode também, em certos casos, cultivar fatores de proteção, por exemplo, pelas relações de apoio, empatia e acompanhamento individualizado que podem facilitar a permanência na escola dos jovens em situações de risco. Nesse contexto, ilustramos a abordagem escolar no tratamento do abandono escolar descrevendo as estruturas que permitem aos alunos em dificuldades sair, por períodos mais ou menos curtos, de um ambiente escolar no qual eles têm interações problemáticas e levá-los a se reconstruir em locais que ofereçam possibilidades para reinvestimentos afetivos e cognitivos. Ao lado dessa abordagem escolar, desenvolve-se desde uma quinzena de anos uma outra abordagem qualificada como comunitária, por mobilizar um conjunto bem amplo de atores de todas as esferas da sociedade que podem contribuir para a permanência escolar e a inserção socioprofissional dos jovens. Essa abordagem é ilustrada com o exemplo de uma pesquisa colaborativa conduzida pela comunidade francesa da Bélgica visando à implementação de um dispositivo de conciliação intersetorial de luta contra o abandono escolar. Por fim, na última parte do texto, fazemos algumas propostas para uma abordagem de qualidade na implementação, análise e regulação das novas alianças educativas, incorporando as abordagens escolares e comunitárias.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Bélgica

TRANCART, D. « Quel impact des ségrégations socio-spatiales sur la réussite scolaire au collège ? », Formation emploi, n. 120, p. 35-55, 2012.

https://www.cairn.info/revue-formation-emploi-2012-4-page-35.htm?contenu=resume

Abstract/résumé/resumo: Les études sur la répartition spatiale des populations font apparaître une accentuation des ségrégations sociales et scolaires qui se manifeste en particulier par une concentration croissante de la pauvreté dans certains territoires excentrés ou enclavés. Les travaux quantitatifs permettant la mesure de la ségrégation socio-spatiale sont assez rares car le problème soulevé nécessite de construire un ensemble d’indices et de méthodes pertinents. L’objet de cet article est donc de présenter quelques méthodes et indices utilisés dans la mesure de la ségrégation socio-spatiale et de montrer le lien entre ségrégation sociale, concurrence entre établissements et faibles performances scolaires au collège.

Os estudos sobre a distribuição espacial das populações fizeram aparecer uma acentuação das segregações sociais e escolares que se manifestam, em particular, por uma concentração crescente de pobreza em certos territórios periféricos ou guetos. Os trabalhos quantitativos que possibilitam medir a segregação socioespacial são raros pois o problema abordado necessita da construção de um conjunto pertinente de indícios e métodos. Sendo assim, o objeto deste artigo é apresentar alguns métodos e indícios utilizados para medir a segregação socioespacial e mostrar a ligação entre segregação social, concorrência entre estabelecimentos e desempenhos escolares fracos no collége (estudantes entre 11 e 15 anos de idade).

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: França

KANOUTE, Fasal; ANDRE, Joslyne; CHARETTE, Josée; LAFORTUNE, Gina; LAVOIE, Annick; GOSSELIN-GAGNE, Justine. Les relations école-organisme communautaire en contexte de pluriethnicité et de défavorisation /School-Community Organization Relations in Pluri-Ethnic and Under-Resourced Contexts. Revue McGill Journal of Education (Érudit), v. 46, n. 3, fall, 2011.

http://mje.mcgill.ca/article/view/8776

Abstract/résumé/resumo: Dans cet article, les auteures partagent une réflexion sur le nécessaire dialogue entre l’école et les ressources que sont les organismes communautaires, pour relever les défis de la réussite scolaire, notamment en contexte urbain, conjuguant pluriethnicité marquée et défavorisation. L’article fait référence à plusieurs recherches d’ici et d’ailleurs portant sur des enjeux scolaires, des recherches dans lesquelles le milieu communautaire est contextualisé ou évoqué par des parents, des élèves ou des enseignants. Des exemples d’activités et/ou de projets communautaires ciblant les enfants-élèves sont présentés.

Neste artigo, os autores fazem uma reflexão sobre a necessidade de um diálogo entre a escola e os recursos das organizações comunitárias, para superar os desafios do sucesso escolar, em especial em contextos urbanos marcados pela plurietnicidade e precariedade. O artigo faz referência a várias pesquisas nacionais e internacionais sobre os problemas escolares, pesquisas nas quais o meio comunitário é contextualizado ou invocado pelos pais, alunos ou professores. Exemplos de atividades e/ou projetos comunitários direcionados às crianças/alunos são apresentados.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Montreal (Canadá)

Português

ALMEIDA, Luana Costa. As desigualdades e o trabalho das escolas: problematizando a relação entre desempenho e localização socioespacial. Rev. Bras. Educ. [online], 2017.

http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v22n69/1413-2478-rbedu-22-69-0361.pdf

Circunscrito às preocupações acerca do trabalho das escolas, o presente artigo se propõe a olhar o fenômeno escolar a partir da relação entre o desempenho escolar dos estudantes e o entorno social das escolas. A fim de compreender como diferentes desempenhos escolares se relacionam com a localização socioespacial das escolas, tomou-se por objeto de pesquisa quatro escolas municipais de Campinas/SP: duas escolas de mesmo desempenho em zonas de vulnerabilidade social diferentes e duas escolas de desempenhos diferentes em mesma zona de vulnerabilidade social. O objetivo principal é entender a relação delas com seu entorno social na visão dos sujeitos envolvidos. A organização e análise dos dados revelaram que, sob a proxy nível socioeconômico, há vários aspectos externos que não apenas influenciam a criança antes do processo de escolarização, compondo sua proficiência inicial, como continuam a influenciá-la durante todo o período em que frequenta a escola.

Palavras-chave: entorno social, avaliação escolar, qualidade educacional.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Campinas (SP)

ERNICA, Maurício; BATISTA, Antônio Augusto Gomes. A escola, a metrópole e a vizinhança vulnerável. Cad. Pesqui. [online], v. 42, n. 146, p. 640-666, 2012.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742012000200016&script=sci_abstract&tlng=pt

Abstract/résumé/resumo: Este artigo apresenta resultados de pesquisa cujo objetivo geral foi explorar a hipótese do efeito-território sobre as oportunidades educacionais. Seus objetivos específicos consistiram em apreender se e como desigualdades nos níveis de vulnerabilidade social da vizinhança da escola impactam a oferta educacional que ali se realiza, e, por meio dela, o desempenho dos estudantes. A investigação conjugou procedimentos metodológicos de natureza quantitativa e qualitativa, tendo como campo uma subprefeitura da região leste do município de São Paulo. A análise dos dados mostra que, quanto maiores os níveis de vulnerabilidade social do entorno do estabelecimento de ensino, mais limitada tende a ser a qualidade das oportunidades educacionais por ele oferecidas. Mostra também que o efeito negativo do território vulnerável sobre a escola se exerce por meio de cinco mecanismos articulados: isolamento da escola no território; reduzida oferta de matrícula de Educação Infantil; concentração e segregação de sua população escolar em estabelecimentos de ensino nele localizados; posição de desvantagem de suas escolas no quase mercado escolar oculto; e dificuldades, dada essa posição de desvantagem, de apresentarem as condições necessárias para garantir o funcionamento do modelo institucional que orienta a organização escolar.

Palavras-chave: metrópole, desigualdades educacionais, desigualdades sociais, educação.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: São Miguel Paulista, São Paulo (SP)

KOSLINSKI, Mariane Campelo; ALVES, Fátima; LANGE, Wolfram Johannes. Desigualdades educacionais em contextos urbanos: um estudo da geografia de oportunidades educacionais na cidade do Rio de Janeiro. Educ. Soc., Campinas, v. 34, n. 125, p. 1.175-1.202, dez., 2013.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302013000400009&script=sci_abstract

Abstract/résumé/resumo: O objetivo do trabalho é trazer uma contribuição teórica dos estudos da sociologia urbana, bem como a contribuição metodológica das análises espaciais (georreferenciamento), para analisar as desigualdades educacionais em grandes centros urbanos. Ao integrar a dimensão das desigualdades educacionais às dinâmicas de segregação residencial desses centros, traz questões até então subdimensionadas nos estudos sobre desigualdades educacionais. Como estratégia analítica, selecionamos a cidade do Rio de Janeiro para exemplificar as potencialidades da abordagem teórico-metodológica adotada. As análises reuniram informações de diferentes bases de dados, tais como Prova Brasil (2011) e Censo Escolar (2011). Por fim, o artigo discute experiências recentes de políticas educacionais que utilizam instrumentos de geoprocessamento e/ou que focalizam escolas em territórios vulneráveis e suas consequências para distribuição de oportunidades educacionais.

Palavras-chave: desigualdades educacionais, geografia de oportunidades educacionais, segregação residencial.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Rio de Janeiro

RIBEIRO, Luiz Cesar de Queiroz et al. Desafios Urbanos à Democratização do Acesso às Oportunidades Educacionais nas Metrópoles Brasileiras. Educ. Soc., Campinas, v. 37, n. 134, p. 171-193, mar., 2016.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302016000100171&script=sci_abstract&tlng=pt

Abstract/résumé/resumo: O presente artigo sistematiza o progresso da pesquisa sobre os padrões de organização social do território das metrópoles brasileiras e seus impactos nos mecanismos de reprodução das desigualdades educacionais entre crianças e jovens. Ele tem como base os resultados de um grande número de investigações empíricas realizadas pelo grupo de pesquisa multidisciplinar Educação e Cidade, integrante do Instituto Nacional de Pesquisa e Tecnologia (INCT) – Observatório das Metrópoles – CNPq/FAPERJ. Além de apresentar o estado da arte sobre o conhecimento referente à relação entre os processos de segmentação e segregação residencial e as desigualdades de acesso à estrutura de oportunidades educacionais, o artigo também propõe a reflexão sobre a necessidade da consideração do território urbano como dimensão transversal das políticas de educação e da cidade.

Palavras-chave: regiões metropolitanas, segregação residencial, desigualdades urbanas, desigualdades educacionais.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Regiões Metropolitanas da cidade do Rio de janeiro e Belo Horizonte

RIBEIRO, Vanda Mendes; VOVIO, Cláudia Lemos. Desigualdade escolar e vulnerabilidade social no território. Educ. Rev., Curitiba, n. spe. 2, p. 71-87, set., 2017.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-40602017000600071&script=sci_abstract&tlng=pt

Abstract/résumé/resumo: Este texto discute resultados de pesquisas sobre a influência da vulnerabilidade social nos territórios das grandes cidades na produção da desigualdade escolar realizadas em duas metrópoles brasileiras. Tais pesquisas têm recorrido à literatura da CEPAL, da sociologia da educação francesa e norte-americana, na busca de referências para lidar com um fenômeno recentemente transformado em problema de pesquisa. As pesquisas evidenciam que a vulnerabilidade social do território interfere nas oportunidades educacionais. Detectaram mecanismos capazes de produzir vínculos entre vulnerabilidade social do território e produção da desigualdade escolar, tais como relações de interdependência competitiva entre escolas, falta de investimento do Estado na Educação Infantil, representações sociais desfavoráveis às populações residentes nessas áreas das cidades e falta de equipamentos públicos nos territórios vulneráveis. Os estudos mostraram que os contornos das políticas educacionais podem fomentar a desigualdade escolar em territórios vulneráveis: professores, com mais experiência e formação, migram para escolas de territórios menos vulneráveis devido à legislação dos concursos de remoção; alunos com menor capital sociocultural, cujos pais ignoram o tipo de capital social valorizado pela escola, que desconhecem seus direitos e que residem em territórios estigmatizados, como favelas, podem ser preteridos em momentos de matrícula, dificultando seu acesso à escola. Em atos de expulsão de alunos, esses estigmas podem contribuir para a decisão, uma vez que escolas parecem buscar alunos mais adaptados a um ambiente escolar menos conturbado.

Palavras-chave: vulnerabilidade social, desigualdade escolar, território, política educacional.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Discussão de pesquisas realizadas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro

Inglês

AGIRDAG, Orhan; VAN HOUTT, Mieke; VAN AVERMAET, Piet. Why Does the Ethnic and Socio-economic Composition of Schools Influence Math Achievement? The Role of Sense of Futility and Futility Culture. European Sociological Review, v. 28, n. 3, p. 366-378, June, 2012.

https://academic.oup.com/esr/article-abstract/28/3/366/545704

Although a number of studies in many countries have investigated the impact of the ethnic and socio-economic composition of schools on academic performance, few studies have analyzed in detail how and why compositional features matter. This article presents an examination of whether pupils’ sense of futility and schools’ futility culture account for the impact of ethnic and socio-economic status (SES) composition of schools on the academic achievement of their pupils. Multilevel analyses of data based on a survey of 2,845 pupils (aged 10–12 years) in 68 Flemish primary schools revealed that higher proportions of immigrant and working-class pupils in a school is associated with lower levels of math achievement in both immigrant and native Belgian pupils. However, by analyzing at a deeper level, by taking control variables into account, our study found that the ethnic composition of the school no longer had a significant effect on pupils’ achievement, while the SES composition still did. Most importantly, our results indicated that the remaining impact of SES composition can be explained by pupils’ sense of futility and schools’ futility culture. The implications of these findings for educational policy are discussed. Sense of futility refers to students’ belief that they have no control over their educational success and their feelings that the school system is working against them (BROOKOVER and SCHNEIDER, 1975; BROOKOVER et al., 1978). We expect that children in schools with an higher share of working class and ethnic minority pupils are more likely to develop a sense of futility because these ‘concentration schools’ are in general little esteemed and their pupils are expected to fail (see section above on ‘Study Setting’). Even teachers in such schools expect their students to be less teachable (Thrupp 1999; Van Maele and Van Houtte, 2010). Hence pupils in schools with a high share of working class and immigrant children are likely to internalize these negative beliefs which may result in a higher sense of futility. Recent empirical evidence points in this direction: Van Houtte and Stevens (2008, 2010) have shown that sense of futility is more prevalent in schools with a lower mean SES composition. Moreover, these authors make a clear distinction between sense of futility (at pupil level) and pupils’ common feelings of futility within schools, for which they introduced the concept of ‘school futility culture’. Both sense of futility and futility culture have been shown to have a negative impact on pupils’ study involvement.

BODOVSKI, Katerina; NAHUM-SHANI, Inbal, WALSH, Rachael. School Climate and Students’ Early Mathematics Learning: Another Search for Contextual Effects. American Journal of Education, v. 119, n. 2, p. 209-234, Feb., 2013.

https://pennstate.pure.elsevier.com/en/publications/school-climate-and-students-early-mathematics-learning-another-se

Using data from the Early Childhood Longitudinal Study-Kindergarten Cohort (ECLS-K)-a large, nationally representative sample of US elementary school students, we employed multilevel analysis to answer the following research questions: (a) Does students’ mathematics achievement growth in grades K-3 vary among schools? (b) To what extent does school academic and disciplinary climate explain variation in mathematics achievement growth among schools? © To what extent do students’ and schools’ demographic characteristics explain this variation? While previous studies have examined the effects of school climate on student achievement in middle school and high school, the present study is focused on the effect of school academic and disciplinary climate on students’ mathematics learning in the first 4 years of schooling-from fall of kindergarten to spring of third grade. We found that students’ mathematics achievement growth varies significantly among schools and that students’ improvement in mathematics achievement over time was higher in schools characterized by a stronger climate, above and beyond students’ and schools’ demographic characteristics.

FARBMAN, D., WOLF, D. P.; SHERLOCK, D. Advancing arts education through an expanded school day: Lessons from five schools. National Center on Time & Learning, p. 1-66, June, 2013. (ONG)

http://www.wallacefoundation.org/knowledge-center/pages/advancing-arts-education-through-an-expanded-school-day.aspx

Abstract/résumé/resumo: At a time when analysts describe arts education provision as typically being spotty, casual and brief, this report profiles five schools that are strengthening access to arts education as part of a strategy to expand the school day. The report finds that educators at the schools considered arts to be central to their mission, organized the school day to support arts instruction, and saw the arts as improving student engagement.

HOXBY, Caroline M.; ROCKOFF, Jonah E. Findings from the City of Big Shoulders: Younger Students Learn More in Charter Schools. Education Next, v. 5, n. 4, p. 52-58, Fall, 2005.

https://www.educationnext.org/files/ednext20054_52.pdf

Supporters believe that the flexibility granted these new public schools allows them to be more innovative and responsive to student needs than traditional public schools are. But do students in charter schools learn more than their counterparts in traditional public schools? In order to answer this question, the authors have analyzed established charter schools in Chicago that are overseen by the Chicago Charter School Foundation. Their results demonstrate that, among students who enter in a typical grade, attending a charter school improves reading and math scores by an amount that is both statistically and substantively significant. They believe that these results can safely be extrapolated to similar schools that serve similar students. In particular, the results are useful for understanding the effects of charter schools run by education-management organizations on student populations that comprise largely low-income and racial/ethnic minorities. Their results should be helpful for many policymakers who are concerned about urban students like those they study. However, they do not claim that the results are helpful for all policymakers.

KOLODNY, Kelly Ann. Inequalities in the Overlooked Associations in Urban Educational Collaborations. Urban Review, v. 33, n. 2, p. 151-78, June, 2001

https://eric.ed.gov/?id=EJ630425

Examined relationships between families and staff from community agencies in a poor urban neighborhood, investigating how they affected urban educational restructuring efforts that encouraged family-school-community collaboration. Findings indicated that these relationships often rested on inherent inequalities stemming from conditions that placed urban residents at an economic disadvantage. These inequalities carried through to the roles that families and staff assumed with each other in their daily associations.

LEWIS, Jeffrey L.; KIM, Eunhee. A Desire to Learn: African American Children’s Positive Attitudes toward Learning within School Cultures of Low Expectations. Teachers College Record, v. 110, n. 6, p. 1.304-1.329, 2008.

https://eric.ed.gov/?id=EJ825712

Background: Scholars are bringing much-needed attention to the persistent problem of academic underachievement among African American children in the United States, who continue to lag behind White school children in all socioeconomic groups. This is especially true of impoverished African Americans. Although some link these outcomes to poor student attitudes, recent scholarship casts doubt on the prevalence and significance of the role of adversarial attitudes on school outcomes. In addition, most of the extant research of student attitudes among African American students reflects research with middle school and high school students. We know little about the attitudes of elementary-age African American children living in low-income neighborhoods. Focus of Study: This qualitative study aims to address this gap in our knowledge by examining whether oppositional attitudes toward learning prevail among African American children attending two low-income urban elementary schools in California. We also examine how what African American children say they want in teachers relates to what we document as good teaching. Research Design: This study used a qualitative design that included face-to-face interviews with children, participant observation in the school and after-school labs, and videotape of classroom interactions in after-school sites. We helped establish the after-school sites as pedagogical laboratories designed to examine how less skilled teachers learn to improve their practice and how children learn with an exemplary teacher. Data Analysis: We content-analyzed interview data to examine how children defined and described effective and ineffective teaching. We also used content analysis of participant observations to assess school climate and institutional culture. We developed a code manual to content-analyze videotaped lab data to identify characteristics of the after-school lab that supported positive and productive classroom behaviors in the students. Conclusions: We conclude that low-come urban children do want to learn, regardless of their actual demonstrated ability levels, and they appear to be resilient in this respect. We found that elementary school-age low-income African American children are aware of strengths and deficiencies in their teachers and can name each explicitly. Even within controlling or negative school environments that reflect a pervasive culture of low expectations, they overwhelmingly expressed a desire for teachers who treated them well, helped them learn, and who were fair and caring toward them. Moreover, given the opportunity to work with a teacher who worked with them in ways consistent with what they looked for in good teachers, the children in our study responded with productive classroom behaviors.

MANTZICOPOULOS, Panayota; KNUTSON, Dana J. Head Start Children: School Mobility and Achievement in the Early Grades. The Journal of Educational Research, v. 93, n. 5, p. 305-311, May-June, 2000.

https://www.jstor.org/stable/27542280?seq=1#page_scan_tab_contents

The relationship of 2 school mobility indices (school changes and parental perceptions of mobility effects) to 2nd-grade academic achievement was examined. The sample comprised 90 children who had attended Head Start and had made the transition to public school. Data also were obtained from the children’s mothers. School mobility was defined as the number of school transfers over 3 years (kindergarten to Grade 2). Hierarchical regression analyses indicated that frequent school changes in the primary grades were related to lower achievement levels even after controlling for the child’s sex and the effects of achievement prior to the school moves.

OWENS, Ann; REARDON, Sean F.; JENCKS, Christopher. Income Segregation between Schools and School Districts. American Educational Research Journal, v. 53, n. 4, p. 1.159-1.197, 2016.

https://journals.sagepub.com/doi/10.3102/0002831216652722

Although trends in the racial segregation of schools are well documented, less is known about trends in income segregation. We use multiple data sources to document trends in income segregation between schools and school districts. Between-district income segregation of families with children enrolled in public school increased by over 15% from 1990 to 2010. Within large districts, between-school segregation of students who are eligible and ineligible for free lunch increased by over 40% from 1991 to 2012. Consistent with research on neighborhood segregation, we find that rising income inequality contributed to the rise in income segregation between schools and districts during this period. The rise in income segregation between both schools and districts may have implications for inequality in students’ access to resources that bear on academic achievement.

Keywords: economic segregation, income segregation, school district segregation, school segregation, social stratification.

RHODES, Anna; WARKENTIEN, Siri. Unwrapping the Suburban “Package Deal”: Race, Class, and School Access. American Educational Research Journal, v. 54 n.1 suppl. P. 168S-189S, Apr., 2017.

https://journals.sagepub.com/doi/10.3102/0002831216634456

Large disparities in educational quality exist between cities and surrounding suburban school districts and are increasing between suburban districts–a trend that emerged over the past several decades and shows signs of growing. Using in-depth interviews, this study examines how children are sorted into different school districts across a metropolitan area. We find that the ideal educational arrangement for nearly all parents is to live in a neighborhood that guarantees access to neighborhood schools that meets their expectations, something we call the “package deal.” Parents look to the suburbs to achieve this ideal, but not all suburbs provide it. Metropolitan patterns of racial residential segregation, interact with families’ resources and constraints to reproduce racial inequalities in educational opportunities across suburban districts. Integrated approaches to housing and education policy are needed to address parents’ preference to couple residential and school choices and reduce growing suburban inequality.

VOIGHT, Adam; SHINN, Marybeth; NATION, Maury. The Longitudinal Effects of Residential Mobility on the Academic Achievement of Urban Elementary and Middle School Students. Educational Researcher, v. 41, n. 9, p. 385-392, Dec., 2012.

https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.3102/0013189X12442239

Residential stability matters to a young person’s educational development, and the present housing crisis has disrupted the residential stability of many families. This study uses latent growth-curve modeling to examine how changing residences affects math and reading achievement from third through eighth grade among a sample of urban elementary and middle-school students. Results show that residential moves in the early elementary years have a negative effect on math and reading achievement in third grade and a negative effect on the trajectory of reading scores thereafter. Further, there is a negative contemporaneous effect of mobility on math scores in third through eighth grade but no such contemporaneous effect on reading scores. Implications for research and practice are discussed.

Keywords: achievement, at-risk students, longitudinal studies, poverty, social context, urban education.

Francês

COLLAS, Thomas. « Le public du soutien scolaire privé. Cours particuliers et façonnement familial de la scolarité[*] », Revue française de sociologie, v. 54, n. 3, p. 465-506, 2013.

https://www.cairn.info/revue-francaise-de-sociologie-2013-3-page-465.htm

À l’appui d’une exploitation de la partie « Éducation et famille » de l’« Enquête permanente sur les conditions de vie des ménages » (EPCV, Insee, octobre 2003), la demande de cours particuliers en France est étudiée en considérant ces cours en comparaison avec deux autres formes de shadow education – soutien gratuit et aide des proches – et dans leurs relations avec les autres actes et attitudes participant au façonnement familial des scolarités. L’article avance tout d’abord que les cours particuliers s’inscrivent, d’une part et à la différence du soutien gratuit, dans un halo de pratiques participant à la construction familiale d’un avantage sur la scène scolaire, construction associée à une forte dotation en capitaux scolaire et économique, et qu’ils participent, d’autre part et à l’instar du soutien gratuit, d’un mouvement d’externalisation de l’aide étroitement lié à la configuration du ménage. Le besoin de remédier à des difficultés scolaires perçues et les possibilités matérielles de recours apparaissent ensuite centraux dans la saisie des traits saillants de la population recourant aux cours particuliers.

COMHAIRE, Gaël ; MRSIC-GARAC, Sonia . « La “participation” des parents dans des contextes de systèmes éducatifs en crise. Études de cas au Bénin et en République Démocratique du Congo », Mondes en développement, v. 139, n. 3, p. 43-56, 2007.

https://www.cairn.info/revue-mondes-en-developpement-2007-3-page-43.htm

Dans la plupart des pays d’Afrique sub-saharienne, des associations de parents sont de plus en plus sollicitées pour participer à une meilleure gouvernance de l’éducation. L’article compare ces associations dans deux contextes nationaux aussi différents que celui du Bénin, où ces institutions bénéficient d’un appui conséquent de la part des bailleurs de fonds, et celui de la RDC, où elles sont livrées à elles-mêmes.

DELCROIX. Catherine. Les parents des cités : la prévention familiale des risques encourus par les enfants. Les Annales de la recherche urbaine, v. 83, n. 1, p. 97-107, 1999.

https://www.persee.fr/doc/aru_0180-930x_1999_num_83_1_2254

Résumé: Face à la montée des incivilités des jeunes vis-à-vis des personnes plus âgées ou des représentants des institutions publiques et d’autres gestes plus violents ou plus spectaculaires, la mise en accusation de l’action éducative des parents de milieux populaires et en particulier des pères est systématique. Elle donne les moyens à beaucoup de responsables politiques, de professionnels de l’éducation, à des travailleurs sociaux et même à un certain nombre de sociologues d’expliquer une situation qui dérange et insécurise. « Aux adolescents violents, c’est-à-dire désespérés, font face des parents silencieux, parce que brisés et désemparés. L’autorité familiale est donc en berne et les enfants de ce fait bernés. Les familles des quartiers (économiquement) sinistrés n’ont plus la force de donner, de transmettre. Alors, quand la maison n’est plus qu’un mur de silence, l’appel de la rue se fait pressant – avec tous les *dangers et toutes les tentations que l’on sait » D’autres auteurs vont encore plus loin dans leurs analyses des comportements des jeunes, ils abordent le rôle parental en remettant en cause jusqu’au mode de transmission des valeurs.

J. LARIVEE, Serge, et al. “La collaboration école-famille en contexte d’inclusion : entre obstacles, risques et facteurs de réussite.” Revue des sciences de l’éducation, v. 32, n. 3, p. 525-543, 2006.

https://www.erudit.org/fr/revues/rse/2006-v32-n3-rse1733/016275ar.pdf

Cet article porte sur la collaboration ecole-famille en contexte d’inclusion scolaire. Depuis plusieurs annees, des travaux montrent que parents et enseignants auraient interet a participer de maniere concertee a la reussite des eleves. Ce constat tend a devenir une exigence majeure en ce qui concerne le soutien aux eleves presentant des difficultes, car les roles joues par les uns et les autres determinent l’orientation des pratiques sur le terrain, particulierement en milieu scolaire. En partant des resultats des travaux recenses, le present article met en lumiere des facteurs de reussite, des facilitateurs et des obstacles identifies qui influencent le type de collaboration ainsi que la qualite des services offerts.

LAROSE, François et al. “L’arrimage de l’intervention éducative et socioéducative en contexte de réussite éducative. Empowerment en perspective écosystémique et impact sur l’intervention.” Nouveaux cahiers de la recherche en éducation, v. 16, n. 1, p. 24-49, 2013.

https://www.erudit.org/fr/revues/ncre/2013-v16-n1-ncre01466/1025762ar/

Il y a une décennie, Lenoir, Larose, Deaudelin, Kalubi et Roy (2002) définissaient l’intervention éducative (IÉ) dans l’univers particulier de l’éducation et du travail enseignant. Dans un article subséquent (Terrisse, Larose et Couturier, 2003), nous réagissions au caractère restrictif du domaine d’application du concept d’IÉ par la proposition d’un construit complémentaire, celui d’intervention socioéducative (ISÉ). Dans cet article, nous resituons le construit d’ISÉ en fonction de la nécessaire complémentarité des intervenants dont l’action éducative se situe auprès de l’enfant dans l’école, dans la famille mais aussi dans la communauté ainsi qu’à la charnière de ces systèmes, tout particulièrement dans un contexte de «réussite éducative». L’articulation des deux construits, l’intervention éducative et socioéducative (IÉSÉ) se caractérise alors par le fondement écosystémique de son déploiement, la nature interdisciplinaire de sa mise en oeuvre et sa visée d’empowerment.

Mots-clés: intervention éducative et socioéducative, interdisciplinarité professionnelle, empowerment, relation école, famille, communauté, réussite éducative.

LE MENER, Erwan; OPPENCHAIM. Nicolas. Pouvoir aller à l’école. La vulnérabilité résidentielle d’enfants vivant en hôtel social. Les Annales de la recherche urbaine, Volume 110, Numéro 1, p. 74-87, 2015.

https://www.persee.fr/doc/aru_0180-930x_2015_num_110_1_3169

Vivre en hôtel social expose à une forte instabilité résidentielle et à des déménagements dans des communes parfois réfractaires à l’accueil de familles sans logement. La plupart des enfants vivant en hôtel vont pourtant à l’école. Cet article s’intéresse, à partir d’enquêtes menées en Île-de-France, aux conséquences de l’instabilité résidentielle sur la scolarisation de ces enfants. Leur accès à l’école est compliqué par de fréquents déménagements et la longueur des trajets entre l’hôtel et l’école. La scolarisation constitue néanmoins une ressource essentielle pour faire face aux difficultés du quotidien liées à la vulnérabilité résidentielle des familles en hôtel. L’école constitue ainsi un point fixe dans l’existence mouvementée des familles sans logement.

RAHM, Jrène. « L’accès des jeunes provenant de milieux défavorisés aux activités scientifiques extrascolaires: une question d’équité. » Revue des sciences de l’éducation, v. 32, n. 3, p. 733-758, 2006.

https://www.erudit.org/fr/revues/rse/2006-v32-n3-rse1733/016284ar/

Cet article étudie la question de l’iniquité d’accès aux activités parascolaires et aux programmes communautaires en sciences chez les jeunes provenant de milieux défavorisés. Nous avons examiné comment les jeunes profitent de leurs temps libres et nous sommes intéressés à la vulgarisation des sciences, comme le proposent les musées, certaines activités parascolaires et programmes communautaires, et à son accessibilité dans le but de permettre le développement de la culture scientifique pour tous. Notre synthèse critique souligne la problématique d’exclusion en sciences, mais relève aussi l’intérêt de documenter diverses possibilités d’entrée dans la culture scientifique. À travers les descriptions de trois programmes communautaires, nous illustrons ces possibilités en soulignant l’importance de telles opportunités dans la vie des jeunes des milieux défavorisés.

VATZ-LAAROUSSI, Michèle. « Les nouveaux partenariats famille-école au Québec : l’extériorité comme stratégie de survie des familles défavorisées ?. » Lien social et Politiques, n. 35, p. 87-97, printemps, 1996.

https://www.erudit.org/en/journals/lsp/1996-n35-lsp346/005245ar/

Dans la société québécoise de la fin du vingtième siècle, le partenariat entre les familles et l’école est posé à la fois comme une question de société et comme un préalable a toute évolution de l’institution scolaire. Par l’analyse de données de plusieurs recherches menées d’abord en France puis au Québec auprès de familles dites de milieu défavorisé, nous proposons ici de distinguer deux types de stratégies mises en œuvre par les écoles québécoises dans leur fonction éducative, pour ensuite comprendre les pratiques des familles de milieu défavorisé grâce à l’élaboration d’un inventaire des stratégies familiales de survie. L’arrimage entre stratégies d’école et stratégies familiales de survie sera notre analyseur de la position des familles par rapport à l’école. Cette position, selon nous, repose sur une logique d’extériorité qui est le seul gage de la survie matérielle et symbolique tant de l’entité familiale que de chacun des membres de cette entité.

ZAGO, Nadir. Une école au cœur de la favela à Florianópolis. Les Annales de la recherche urbaine. v. 75, Numéro 1, p. 106-112, 1997.

https://www.persee.fr/doc/aru_0180-930x_1997_num_75_1_2098

L’image sociale négative qui pèse sur la «favela» de Florianópolis, une ville au sud du Brésil, freine l’action intégratrice de l’école locale. Désertée par les habitants les moins pauvres, cette école est tout à la fois un objet d’espérance de mobilité sociale et le bouc émissaire de la marginalité locale. Les opinions négatives sur l’école dépendent moins d’un ressentiment général contre l’inaccessible culture et l’improbable emploi que de l’insertion sociale variable des familles alentour.

Português

ERNICA, Mauricio. Desigualdades educacionais no espaço urbano: o caso de Teresina. Rev. Bras. Educ. [online], v. 18, n. 54, p. 523-788, 2013.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782013000300002&script=sci_abstract&tlng=pt

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada em Teresina/ PI, cujo objetivo foi apreender os mecanismos produtores de desigualdades educacionais no município. Foram identificados quatro mecanismos: a) a separação entre as redes privada e pública; b) as diferenças na oferta educacional das redes públicas estadual e municipal; c) as diferenças nos dois segmentos do ensino fundamental; d) o efeito das desigualdades socioespaciais sobre as oportunidades educacionais. Conclui-se que a diferenciação das redes de ensino, articulada a um sistema de matrículas que induz os pais a disputar entre si vagas em escolas de maior prestígio, cria um quase mercado educacional por meio do qual são produzidas desigualdades escolares. Conclui-se ainda que a concorrência entre as redes engendra mecanismos de interdependência e mútua reprodução.

Palavras-chave: quase mercado educacional, desigualdades educacionais, efeito de território, políticas educacionais, Teresina.