IDeA

Eixo 2 – Desigualdades escolares: diagnósticos e interpretações

Esse eixo reúne trabalhos bastante abrangentes em termos de levantamento de dados (surveys), que buscam, essencialmente, conhecer a magnitude das desigualdades sociais de escolarização e o modo como elas se configuram, em contextos nacionais e momentos históricos específicos. Em maior ou menor medida, esses estudos procuram, também, explicar o fenômeno, à luz dos fundamentos teóricos produzidos pelas Ciências Sociais, em suas diferentes tradições.

Um denominador comum marca o conjunto de trabalhos: a reafirmação daquilo que já se tornou uma “lei de bronze” da pesquisa educacional, a saber: a forte e persistente associação entre origem social do estudante e seu desempenho escolar. Tal reafirmação, que poderia soar como ausência de originalidade, ganha, entretanto, extrema relevância quando se constata que essa “lei” se mantém, apesar do processo inequívoco de massificação escolar e mesmo dos avanços obtidos com a implementação, nas últimas décadas, de políticas educacionais que, apesar de seu caráter democratizante, não se convertem em superação da iniquidade face aos bens escolares. Não se duvida que o fenômeno da universalização do acesso aos níveis básicos dos sistemas de ensino tenha resultado numa elevação geral do nível de instrução da população dos diferentes países concernidos. No entanto, aprofundaram-se as distâncias entre as aquisições cognitivas (“proficiência”) de alunos situados em polos opostos da escala socioeconômica (no jargão anglo-saxônico, o achievement gap). Dois dos estudos contemplados neste eixo (REARDON, 2011; DUNCAN e MURNANE, 2014) mostram-se especialmente relevantes em razão da perspectiva diacrônica que apresentam. Eles evidenciam que um estudante norte-americano nascido no início do século XXI e pertencente ao quintil inferior da distribuição de renda apresenta um gap de desempenho, em relação a seus pares dos quintis superiores de renda, muito maior do que aquele verificado nos anos 1970 entre estudantes situados nas mesmas posições da escala social.

Todavia, é interessante observar que a interpretação das relações entre origem social e desempenho escolar ganha nuances diferenciadas, segundo os textos. Por um lado, é consensual a constatação de que os investimentos parentais na escolarização dos filhos vêm crescendo e se sofisticando ao longo das últimas décadas, embora isso ocorra de modo mais intenso entre os pais mais bem posicionados na escala social. Mas, por outro lado, os autores se distinguem quanto ao peso que atribuem aos fatores responsáveis pelo aprofundamento do achievement gap. Alguns colocam ênfase na distribuição e no uso diferencial (mais ou menos rentável), entre as famílias, dos recursos financeiros destinados à educação; outros, nos efeitos das desigualdades de recursos culturais, com destaque para o capital informacional (isto é, o conjunto de informações sobre o funcionamento do sistema de ensino, informações essas que são utilizadas com maior ou menor proveito segundo a família); outros, ainda, chamam a atenção para um conjunto de investimentos imateriais feito no desenvolvimento cognitivo dos filhos, em particular o montante de tempo despendido no acompanhamento das atividades escolares e o modo de uso desse tempo, bem como as oportunidades de enriquecimento intelectual a que os pais expõem cotidianamente os filhos. Em suma, o conjunto desses estudos leva à conclusão de que os benefícios escolares extraídos tanto do capital econômico quanto do capital cultural vêm crescendo e se potencializando, mas de modo diferencial segundo a posição social da família.

Esse eixo conta com um significativo número de trabalhos publicados no Brasil, os quais se caracterizam bem mais pela constatação e mensuração das desigualdades de escolarização entre os diferentes grupos sociais do país do que pela interpretação do fenômeno, tal qual realizada pelos estudos anglófonos e francófonos acima referidos. Trata-se, assim, no caso brasileiro, de trabalhos marcados por um caráter predominantemente descritivo. A esse respeito, cabe lembrar que somente a partir dos anos 1990 o país passou a contar com dados estatísticos educacionais em escala nacional (emanados do Ministério da Educação, por meio do INEP), que permitiram aos pesquisadores realizar esse tipo de diagnóstico, embora com grande defasagem em relação aos vastos levantamentos estatísticos desenvolvidos nos países ocidentais industrializados já desde meados do século XX. Sabe-se que esses levantamentos forneceram os elementos essenciais para a construção das importantes teorizações que se seguiram e que ainda hoje constituem o pano de fundo de nossos debates, cabendo aos estudiosos brasileiros o desafio de construir, a partir de agora, interpretações que, sem deixar de considerar essas relevantes tradições teóricas, aprofundem-se na compreensão das especificidades do contexto nacional.

Cumpre ressaltar por fim que, devido ao foco nas questões da desigualdade/pobreza, foram remetidos para a bibliografia secundária desse eixo diversos textos que tangenciam essas questões, porém, no quadro de abordagens centradas, seja no papel dos fatores internos ao sistema de ensino (school efectiveness), seja na relação família-escola (especialmente, nesse caso, o fator parental involvement, que vem sendo explorado, em diversos estudos, como um importante componente explicativo das desigualdades educacionais no cenário contemporâneo).

This axis assembles extremely broad works in terms of data collection (surveys) that aim, essentially, to know the magnitude of social inequalities in schooling and its configuration, in national contexts and specific historic moments. In a higher or lesser degree, these studies also try to explain the phenomenon, based on theoretical basis of Social Science, in different traditions.

A common denominator marks this set of works: the reaffirming of what has become a ‘rule’ of educational research, that is, the strong and persistent association between students’ social origin and educational achievement. What could sound as a lack of originality gains, however, extreme relevance when we see that this “law” continues, despite the undeniable process of school massification and even the advances resulting from the implementation, in the last decades, of education policies that, regardless their democratizing character, was not transformed into the overcoming of educational inequalities. There is no doubt that the phenomenon of universalization of access in the basic levels of the educational system resulted in a general increase in the level of instruction in the different countries studied. However, the gap has deepened between the students on the opposite sides of the socioeconomic scales (in the Anglo-Saxon jargon: the achievement gap). Two studies in this axis (REARDON, 2011; DUNCAN e MURNANE, 2014) seem to be especially relevant due to the diachronic perspective they present. They show that an American student born in the beginning of the 21st century from the lower quintile of income distribution presents, in relation to his peer in the higher income quintiles, a much higher achievement gap than could be see in the 1970s between students in the same social positions.

However, it is interesting to observe that the interpretation of the relations between social origin and academic achievement gain different nuances depending on the texts. On one hand, it is a consensus that parental investments in their children’s education is growing and becoming more sophisticated in the last decades, even though this is more intense among parents higher positioned in the social scale. However, on the other hand, the authors diverge on the weight given to the factors responsible for deepening the achievement gap. Some emphasize the different distribution and use of financial resources (more or less rentable) allocated by families; others, focus on the effects of cultural inequalities, informational capital (that is, the set of information that can be used more or less profitably according to the families); others call attention to a series of immaterial investments done in children’s cognitive development, particularly the amount of time spent following their school activities, as well as the intellectually enriching opportunities that parents expose to their children. Summing up, the collection of these studies leads to the conclusion that the school benefits resulted from economic and cultural capital have been growing and becoming more powerful but differing according to the families’ social position.

This axis has a significant number of works published in Brazil characterized more by the confirmation and measurement of achievement inequalities among the different social groups in the country, than the interpretation of the phenomenon, as was done by francophone and anglophone studies. Thus, the Brazilian studies have a predominantly descriptive characteristic. About this, we have to remember that only in the 1990s the country started to have education statistic data in national scale (from the Ministry of Education, through INEP) that allowed researchers to do this type of diagnosis, with a great delay comparing to the broad statistical surveys developed by western industrialized countries since mid-20th century. We know that these surveys provided the essential elements to construct important theories that, until now, constitute the background of our debates. Therefore, Brazilian researchers have, from now on, the challenge to build interpretations that, without disregarding the relevant theoretical traditions, deepen the understanding of national context specificities.

Finally, it is worth highlighting that, due to the focus on inequality/poverty issue, several texts that touched these questions were sent to the secondary bibliography, as their approach were centered on the role of internal factors of the educational system (“school effectiveness”, or on the relation family-school (especially, in this case, on “parental involvement” which has been explored by many studies as an important explanatory element of the educational inequalities on the current scenario).

Inglês

DUNCAN, Greg; MURNANE, Richard. Growing Income Inequality Threatens American Education. Phi Delta Kappan, v. 95, Mar., 2014.

http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/003172171409500603

Abstract/résumé/resumo: Rising economic and social inequality has weakened neighborhoods and families in ways that make effective school reform more difficult.

As crescentes desigualdades sociais e econômicas têm enfraquecido vizinhanças e famílias de forma a tornar mais difíceis reformas efetivas nas escolas.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos Estados Unidos

EVANS, Robert. Reframing the Achievement Gap. Phi Delta Kappan, v. 86, n. 8, Apr., 2005.

http://www.robevans.org/Pages/articles/achievementgap.htm

Abstract/résumé/resumo: The achievement gap, the persistent disparity between the performance of African American and Hispanic students and that of white and Asian American students, is perhaps the most stubborn, perplexing issue confronting American schools today. Closing the gap is widely seen as important not just for the education system but ultimately for the economy, social stability, and moral health as a nation. The conventional wisdom has it that the achievement gap is a school problem. This belief is invitingly simple, allowing a narrow focus on schools that suits the current passion for accountability through testing. But it is fatally shortsighted. It misunderstands and mistreats schools and, more important, black and Hispanic students. When the achievement gap and schooling itself is set up in the broader context of how children grow up, it becomes clear that the issue far transcends the classroom. Its roots lie well beyond the reach of schools, and so the underlying dilemma will require much, much more than school-based strategies and programs. Educators must do all they can to pursue promising approaches for reducing the gap. But holding them, almost alone, accountable for closing it is a doomed strategy that can only hurt the most vulnerable children.

O gap de desempenho, a diferença persistente entre os resultados de alunos negros e hispânicos em relação aos estudantes brancos e asiáticos, é talvez a questão mais persistente e complexa a confrontar atualmente as escolas americanas. Fechar essa lacuna é amplamente considerado importante não apenas para o sistema educacional, mas em última instância para a economia, estabilidade social e saúde moral da nação. O senso comum acredita que o gap de desempenho é um problema escolar. Essa crença é convidativamente simples, permitindo um foco restrito nas escolas que casa com a atual paixão pela accountability por meio de exames. Contudo, ela é fatalmente míope. Ela interpreta e trata mal as escolas e, mais importante, os alunos negros e hispânicos. Quando o gap de desempenho e a escolarização propriamente dita são colocados no contexto maior de como essas crianças crescem, fica claro que essa questão transcende em muito a sala de aula. Suas raízes estão muito além da influência da escola, e, sendo assim, o dilema oculto requer muito mais do que estratégias e programas baseados na escola. Os educadores têm que fazer tudo que podem para procurar abordagens promissoras para reduzir essa diferença. No entanto, responsabilizá-los, quase que sozinhos, por acabar com essa distância é uma estratégia condenada a fracassar e que só irá prejudicar as crianças mais vulneráveis.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos

PARSONS, Carl; THOMPSON, Trevor. Ethnicity, Disadvantage and Other Variables in the Analysis of Birmingham Longitudinal School Attainment Datasets. Educational Review, v. 69, n. 5, 2017.

Abstract/résumé/resumo: Explaining and responding to inequalities in attainment are significant educational policy challenges in England as elsewhere. Data on four cohorts of Birmingham Local Education Authority (LEA) pupils, each approximately 13,000, were analysed by ethnicity, deprivation, gender and other relevant individual pupil variables. For the four successive cohorts of children, aged five in 1997–2001, analysis shows the attainment trajectory of each ethnic group from Baseline/Foundation Stage Profile (age 5) to GCSE (age 16). The relative constancy over time, the changes from one key stage to the next and the differences within broad ethnic categories argue against simplistic explanations. The ethnicity variable accounts for a relatively small amount of variance in pupil achievement, with the same ethnic subgroups recurrently low attainers. Considering explanatory perspectives on educational inequalities and ethnicity in the light of these data, we conclude that a structuralist perspective offers the best explanation recognising economic exploitation, dominance and oppression at the national and local levels. Notions of institutional racism and Critical Race Theory (CRT) are considered to be inadequate and counter-productive, in part shown by their inability to accommodate the range of attainment levels and educational experience of different ethnic groups. More tellingly, they lack causal explanations relevant to the United Kingdom and deflect attention from the need for sustained effort to reduce poverty and disadvantage as it affects children.

Keywords: ethnicity, disadvantage, gender, attainment inequalities.

Explicar as desigualdades de resultados e dar respostas a elas são desafios educacionais importantes para as políticas na Inglaterra e no resto do mundo. Dados de quatro coortes dos alunos do Birmingham Local Education Authority (LEA), cada uma com aproximadamente 13 mil alunos, foram analisados por etnia, pobreza, gênero e outras variáveis individuais relevantes. Para quatro coortes sucessivas de crianças, com 5 anos em 1997-2001, a análise mostrou a trajetória de desempenho de cada grupo étnico desde o Baseline/Foundation Stage Profile (aos 5 anos) ao GCSE (aos 16 anos). A constância relativa através do tempo, as mudanças de um ponto-chave na trajetória para o outro e as diferenças dentro de categorias étnicas amplas vão contra explicações simplistas. A variável étnica dá conta de uma pequena variação do resultado estudantil, sendo que os mesmos subgrupos étnicos estão continuamente entre os de menor rendimento. Considerando as perspectivas explicativas sobre desigualdades educacionais e etnia através das lentes desses dados, concluímos que uma perspectiva estruturalista oferece a melhor explicação ao reconhecer a exploração econômica, o domínio e a opressão em níveis locais e nacionais. Noções de racismo institucionalizado e Teoria Crítica da Raça (TCR) foram consideradas inadequadas e contraproducentes, em parte por sua inabilidade de acomodar a variação de níveis educacionais e experiência educacional de diferentes grupos étnicos. Mais significativamente, faltam a elas explicações causais relevantes para o Reino Unido e retiram a atenção para a necessidade de um esforço sustentável para redução da pobreza e de desvantagens que atingem as crianças.

Palavras-chave: etnicidade, desvantagem, gênero, desigualdades de resultados.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Birminghan (Inglaterra)

PIETSCH, Marcus; STUBBE, Tobias C. Inequality in the Transition from Primary to Secondary School: School Choices and Educational Disparities in Germany. European Educational Research Journal, v. 6, n. 4, p. 424-445, 2007.

https://www.bvekennis.nl/Bibliotheek/07-1179_EERJ_inequality.pdf

This article explores the mechanisms of educational pathway decision making at the transition from primary to secondary school in the German education system by analysing data from the Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS). The highly reliable data of the German sample of the 2001 PIRLS make it possible to take into consideration simultaneously students’ cognitive abilities at the end of primary schooling, criteria for parental decision making in education, as well as institutional adjustment options of family education strategies, in order to describe the complex mechanisms of educational pathway decision making. First, a general overview of the German education system and a review of the current state of research concerning the issue of social inequality of education in Germany are given. Subsequently, a theoretical background seeking to answer the question of how educational disparities arise and how they are structured, as well as a model for analysing parental choices in education are presented. After hypothesizing, multifarious statistical analyses are conducted with the aim of proving these assumptions and demonstrating how complex the mechanisms of educational segregation in Germany are. The results demonstrate that all participants in the process of decision making take a more or less socially biased achievement criterion as a basis and, thus, the logic of meritocracy does not seem to be an appropriate idea for segregating students into different branches of education at the end of primary schooling.

Este artigo explora os mecanismos de decisão de trajetória escolar na transição entre a escola primária e secundária no sistema educacional alemão ao analisar os dados do Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS). Os dados altamente confiáveis da amostra alemã do PIRLS 2001 possibilitam considerar simultaneamente as habilidades cognitivas dos estudantes no fim da escola primária, os critérios para as decisões parentais com relação à educação, assim como opções de ajuste institucional para as estratégias educacionais familiares, a fim de descrever os mecanismos complexos envolvidos na tomada de decisões do percurso escolar. Primeiramente, apresentamos um panorama geral do sistema educacional alemão e uma revisão do atual estado de pesquisa sobre a questão da desigualdade social na educação do país. Em seguida, apresentamos um pano de fundo teórico buscando responder à questão de como as disparidades educacionais surgem e como estão estruturadas, assim como um modelo para analisar as escolhas educacionais parentais. Após estabelecer hipóteses, conduzimos análises estatísticas multifatoriais objetivando provar essas suposições e demonstrar a complexidade dos mecanismos de segregação na Alemanha. Os resultados demonstram que todos os participantes no processo de tomada de decisão levam em consideração o critério de rendimento, de forma mais ou menos enviesada, e, sendo assim, a lógica da meritocracia não parece ser a ideia apropriada para separar os estudantes em diferentes ramos educacionais ao fim da escola primária.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Alemanha

REARDON, Sean. The widening academic achievement gap between the rich and the poor: New evidence and possible explanations. In: DUNCAN, Greg; MURNANE, Richard (Org.). Whither Opportunity?: Rising Inequality, Schools, and Children’s Life Chances. New York: Russell Sage Foundation, p. 91-115, 2011.

https://cepa.stanford.edu/sites/default/files/reardon%20whither%20opportunity%20-%20chapter%205.pdf

Abstract/résumé/resumo: In this chapter I examine whether and how the relationship between family socioeconomic characteristics and academic achievement has changed during the last fifty years. In particular, I investigate the extent to which the rising income inequality of the last four decades has been paralleled by a similar increase in the income achievement gradient. As the income gap between high- and low-income families has widened, has the achievement gap between children in high- and low-income families also widened? The answer, in brief, is yes. The achievement gap between children from high- and low income families is roughly 30 to 40 percent larger among children born in 2001 than among those born twenty-five years earlier. In fact, it appears that the income achievement gap has been growing for at least fifty years, though the data are less certain for cohorts of children born before 1970. In this chapter, I describe and discuss these trends in some detail. In addition to the key finding that the income achievement gap appears to have widened substantially, there are a number of other important findings. First, the income achievement gap (defined here as the average achievement difference between a child from a family at the 90th percentile of the family income distribution and a child from a family at the 10th percentile) is now nearly twice as large as the black-white achievement gap. Fifty years ago, in contrast, the black-white gap was one and a half to two times as large as the income gap. Second, as Greg Duncan and Katherine Magnuson note in chapter 3 of this volume, the income achievement gap is large when children enter kindergarten and does not appear to grow (or narrow) appreciably as children progress through school. Third, although rising income inequality may play a role in the growing income achievement gap, it does not appear to be the dominant 2 factor. The gap appears to have grown at least partly because of an increase in the association between family income and children’s academic achievement for families above the median income level: a given difference in family incomes now corresponds to a 30 to 60 percent larger difference in achievement than it did for children born in the 1970s. Moreover, evidence from other studies suggests that this may be in part a result of increasing parental investment in children’s cognitive development. Finally, the growing income achievement gap does not appear to be a result of a growing achievement gap between children with highly and less-educated parents. Indeed, the relationship between parental education and children’s achievement has remained relatively stable during the last fifty years, whereas the relationship between income and achievement has grown sharply. Family income is now nearly as strong as parental education in predicting children’s achievement.

Neste capítulo, analiso se e como a relação entre características socioeconômicas familiares e desempenho acadêmico tem mudado nos últimos 50 anos. Em particular, investigo o quanto o aumento da desigualdade de renda nas últimas décadas vem em paralelo a um aumento similar no gradiente de desigualdade de desempenho. Assim como a distância entre as rendas de famílias pobres e ricas aumentou, aumentou também a distância de desempenho entre as crianças de famílias pobres e ricas? Em resumo, a resposta é sim. A diferença de desempenho entre crianças de famílias de renda alta e baixa é cerca de 30% a 40% maior entre as crianças nascidas em 2001 do que entre aquelas nascidas 25 anos antes. Na realidade, parece que o gap no desempenho tem crescido nos últimos 50 anos, pelo menos, apesar dos dados serem menos confiáveis para certas coortes de crianças nascidas antes de 1970. Neste capítulo, descrevo e discuto com detalhes essas tendências. Além da descoberta-chave de que a diferença de desempenho por renda parece estar crescendo substancialmente, há uma série de outras importantes descobertas. Primeiramente, o gap de desempenho por renda (aqui definida como a distância no desempenho médio entre uma criança de uma família no 90º percentil de distribuição de renda familiar e uma criança de família do 10º percentil) é hoje duas vezes maior do que o gap de desempenho entre negros e brancos. Em comparação, há 50 anos a distância entre negros e brancos era entre uma e meia a duas vezes maior do que a diferença de renda. Em segundo lugar, como visto por Greg Duncan e Katherine Magnuson, no capítulo 3, o gap de desempenho por renda é grande quando as crianças entram no jardim de infância e não parece aumentar (ou diminuir) consideravelmente no decorrer da escolarização. Em terceiro lugar, apesar do aumento da desigualdade de renda ter um papel na crescente distância do desempenho por renda, ela não parece ser o fator dominante. A distância parece ter crescido, ao menos parcialmente, pelo aumento da associação entre renda familiar e o desempenho acadêmico dos filhos de famílias com renda acima da média: uma determinada diferença de renda familiar corresponde hoje a um gap de rendimento entre 30 a 60% maior do que representava em 1970. Além disso, evidências de outros estudos sugerem que isso pode ser, em parte, o resultado de um crescente investimento parental no desenvolvimento cognitivo dos filhos. Finalmente, a aumento do gap de desempenho por renda não parece ser resultado de um aumento do gap de desempenho entre crianças de pais com maior ou menor escolaridade. Na verdade, a relação entre educação parental e desempenho dos filhos permaneceu relativamente estável nos últimos 50 anos, enquanto a relação entre renda e desempenho cresceu fortemente. A renda familiar é hoje quase tão forte para predizer o desempenho dos filhos quanto a educação parental.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos

REARDON, S. F.; PORTILLA, X. A. Recent Trends in Income, Racial, and Ethnic School Readiness Gaps at Kindergarten Entry. AERA Open. DOI: 10.11772332858416657343, Aug., 2016.

Academic achievement gaps between high and low-income students born in the 1990s were much larger than between cohorts born two decades earlier. Racial/ethnic achievement gaps declined during the same period. To determine whether these two trends have continued in more recent cohorts, we examine trends in several dimensions of school readiness, including academic achievement, self-control, externalizing behavior, and a measure of students’ approaches to learning, for cohorts born from the early 1990s to the 2000-2010 midperiod. We use data from nationally representative samples of kindergarteners (ages 5-6) in 1998 (n = 20,220), 2006 (n = 6,600), and 2010 (n = 16,980) to estimate trends in racial/ethnic and income school readiness gaps. We find that readiness gaps narrowed modestly from 1998 to 2010, particularly between high- and low-income students and between White and Hispanic students. Keywords: school readiness, income gap trends, racial/ethnic gap trends.

Os gaps de rendimento acadêmico entre alunos de famílias com renda alta e com renda baixa nascidos nos anos de 1990 eram muito maiores do que os entre suas coortes nascidas duas décadas antes. Os gaps de rendimento racial/étnico diminuíram no mesmo período. Para determinar se essas duas tendências continuaram entre coortes mais recentes, analisamos tendências em diferentes dimensões de prontidão escolar, incluindo rendimento acadêmico, autocontrole, comportamento externalizado e uma medida das abordagens dos alunos diante da aprendizagem, para coortes nascidas do começo dos anos de 1990 até o período de 2000-2010. Usamos dados nacionalmente representativos com amostras de crianças no jardim de infância (idades entre 5 e 6 anos) em 1998 (n = 20.220), 2006 (n = 6.600) e 2010 (n = 16.980) para estimar tendências dos gaps de prontidão escolar relacionadas a questões raciais/étnicas e renda. Descobrimos que as diferenças de prontidão diminuíram modestamente entre 1998 e 2010, particularmente entre os alunos de classe alta e baixa e entre os estudantes brancos e hispânicos. Palavras-chave: prontidão escolar, tendência de gap por renda, tendências de gap racial/étnico.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Estados Unidos Estados Unidos

SIRIN, Selcuk. Socioeconomic Status and Academic Achievement: A Meta-Analytic Review of Research. Review of Educational Research. v. 75,n. 3, Autumn, 2005.

http://journals.sagepub.com/doi/10.3102/00346543075003417

Abstract/résumé/resumo: This meta-analysis reviewed the literature on socioeconomic status (SES) and academic achievement in journal articles published between 1990 and 2000. The sample included 101,157 students, 6,871 schools, and 128 school districts gathered from 74 independent samples. The results showed a medium to strong SES–achievement relation. This relation, however, is moderated by the unit, the source, the range of SES variable, and the type of SES–achievement measure. The relation is also contingent upon school level, minority status, and school location. The author conducted a replica of White’s (1982) meta-analysis to see whether the SES–achievement correlation had changed since White’s initial review was published. The results showed a slight decrease in the average correlation. Practical implications for future research and policy are discussed.

Keywords: achievement, meta-analysis, SES, social class, socioeconomic status.

Essa meta-análise revisa a literatura sobre o status socioeconômico (SSE) e desempenho acadêmico em artigos de revistas publicados entre 1990 e 2000. A amostra inclui 101.157 estudantes, 6.871 escolas e 128 distritos escolares agrupados em 74 amostras independentes. Os resultados mostram uma relação de média a forte entre SSE e rendimento. Essa relação, no entanto, é moderada pela unidade, fonte, e gama das variáveis de SSE e o tipo de medida SSE-rendimento. A relação depende também do nível escolar, número de alunos de grupos minoritários e localização da escola. O autor replicou a meta-análise de White (1982) para ver se a correlação SSE-rendimento se modificou desde que a revisão inicial de White foi publicada. Os resultados mostraram uma leve diminuição entre a correlação média. As implicações práticas para pesquisas e políticas futuras são discutidas.

Palavras-chave: rendimento, meta-análise, SSE, classe social, status socioeconômico.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: meta análise de pesquisas

Francês

GOUX, Dominique ; MAURIN, Éric. Démocratisation de l’école et persistance des inégalités. Economie et Statistique, v. 306, n. 1, 1997.

https://www.persee.fr/doc/estat_0336-1454_1997_num_306_1_2570

Abstract/résumé/resumo: Avec le ralentissement de la croissance économique, le diplôme est de plus en plus nécessaire pour trouver un emploi, mais de moins en moins suffisant pour accéder au même statut socioéconomique que les générations précédentes. La question des inégalités scolaires entre enfants d’une même génération n’en devient que plus sensible. Une modélisation des données des enquêtes Formation et qualification professionnelle permet de consolider deux résultats importants : l’expansion scolaire contemporaine ne s’accompagne pas d’une réduction notable de l’inégalité des chances et cette inégalité est de plus en plus d’origine culturelle. La complexité du système scolaire semble privilégier les familles qui en ont une bonne connaissance. Aussi le niveau de diplôme des enfants est-il davantage lié aujourd’hui qu’hier à celui du père.

Com a desaceleração do crescimento econômico, o diploma é cada vez mais necessário para conseguir um emprego, e cada vez menos suficiente para ascender ao mesmo status socioeconômico das gerações precedentes. A questão das desigualdades escolares entre crianças de uma mesma geração torna-se cada vez mais sensível. Um modelo dos resultados de pesquisas de formação e qualificação profissional permite consolidar dois resultados importantes: a expansão escolar contemporânea não foi acompanhada de uma redução notável das desigualdades de oportunidades e essa desigualdade é cada vez mais de origem cultural. A complexidade do sistema escolar parece privilegiar famílias que o conhecem bem. Além disso, o nível de diplomação dos filhos é atualmente mais ligado do que antigamente à educação do pai.

FIELD OF RESEARCH/TERRAIN DE RECHERCHE/LOCAL DA PESQUISA: FRANÇA

LE DONNÉ, Noémie. La réforme de 1999 du système éducatif polonais. Effets sur les inégalités sociales de compétences scolaires. Revue française de sociologie, v. 55, n. 1, 2014.

Abstract/résumé/resumo: La Pologne est le seul pays européen à avoir réformé récemment et profondément la structure de son système d’instruction obligatoire. L’un des principaux volets de la réforme de 1999 fut notamment de prolonger d’un an la scolarité au sein de l’enseignement général de tronc commun et ainsi de repousser à l’âge de 16 ans le premier palier d’orientation. Notre examen de l’expérience polonaise, à partir des évaluations PISA de 2000, 2003, 2006 et 2009, donne un éclairage nouveau sur les effets de l’école unique. Nos analyses suggèrent que la réforme a permis une augmentation du niveau scolaire des élèves et que l’allongement d’une année du tronc commun a entrainé une réduction des inégalités sociales d’acquis scolaires entre les élèves parvenus en fin de scolarité obligatoire. La diminution globale de ces inégalités semble essentiellement provenir de l’homogénéisation des conditions d’apprentissage au sein des établissements du tronc commun prolongé jusqu’à la fin de la scolarité obligatoire. L’expérience polonaise laisse ainsi penser que les changements induits par le prolongement de l’école unique dans les méthodes d’instruction employées par les enseignants et dans les relations entre élèves ont été bien plus profitables aux élèves peu performants et socialement défavorisés qu’ils n’ont été désavantageux aux élèves favorisés.

Mots-clés: inégalités sociales, système éducatif, réforme, pisa, modélisation multiniveaux, Pologne.

A Polônia é o único país europeu que reformou recentemente e profundamente a estrutura de seu sistema de ensino obrigatório. Uma das principais áreas da reforma de 1999 foi prolongar em um ano a escolaridade no seio do ensino geral de tronco comum e, assim, adiar para a idade de 16 anos o primeiro momento de divisão escolar. Nossa avaliação da experiência polonesa, a partir dos resultados do PISA de 2000, 2003, 2006 e 2009, dá uma nova luz aos efeitos da escola única. Nossas análises sugerem que a reforma permitiu um aumento do nível escolar dos alunos e que o alongamento em um ano do tronco comum levou a uma redução das desigualdades sociais das aprendizagens escolares entre os alunos que alcançaram o fim da escolarização obrigatória. A diminuição global dessas desigualdades parece vir essencialmente da homogeneização das condições de aprendizagem no seio dos estabelecimentos de tronco comum prolongado até o fim da escolaridade obrigatória. Dessa forma, a experiência polonesa nos deixa pensar que as mudanças induzidas pelo prolongamento da escola única nos métodos de instrução utilizados pelos professores e nas relações entre os alunos foram mais bem aproveitadas pelos estudantes com baixo rendimento e socialmente desfavorecidos e não trouxeram desvantagens aos alunos mais favorecidos.

Palavras-chave: desigualdades sociais, sistema educativo, reforma, PISA, modelização multinível, Polônia.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Polônia

OCDE. Chapitre 4. Un défi de taille: des écoles plus performantes pour tous les jeunes Chiliens. Etudes économiques de l’OCDE, v. 1, n. 1, 2010.

Abstract/résumé/resumo: La progression des niveaux d’instruction au Chili est impressionnante. Pourtant, malgré des améliorations récentes, les résultats – mesurés dans le cadre du PISA – doivent encore rattraper ceux des pays de l’OCDE, et il faut aussi s’employer à résoudre les problèmes d’équité. Les enseignants auront dans ces domaines un rôle capital. Le Chili doit s’efforcer d’attirer des personnes qualifiées vers le métier d’enseignant et de soutenir les initiatives visant à améliorer leur formation initiale et en cours d’emploi. Il faut également renforcer les mécanismes d’assurance qualité. Depuis longtemps, le Chili recourt largement à la concurrence pour assurer la qualité des établissements scolaires, mais cette méthode n’a eu que des résultats limités, en partie à cause de règles du jeu très inégales entre écoles publiques et privées concernant la sélection des élèves, le recrutement des enseignants et le mode de financement. Le Chili a commencé à s’attaquer à ces problèmes en interdisant la sélection des élèves jusqu’à la 6e année de scolarité. Le nouveau dispositif national d’assurance qualité, fondé sur une évaluation indépendante des résultats, est en cours de mise en œuvre et viendra utilement compléter l’ensemble. Enfin, il faudra aider les élèves en difficulté encore plus que les autres si le Chili veut améliorer les résultats scolaires moyens et renforcer l’équité dans le même temps. Les pouvoirs publics ont entrepris récemment des réformes d’envergure pour investir davantage en faveur des enfants de familles modestes. Ces ressources supplémentaires peuvent contribuer à obtenir des progrès considérables.

A progressão dos níveis de instrução no Chile é impressionante. No entanto, apesar das melhorias recentes, os resultados – medidos pelo PISA – devem ainda alcançar aqueles dos países da OCDE, deve-se também se esforçar para resolver os problemas de equidade. Os professores terão nessas áreas um papel primordial. O Chile deve se esforçar para atrair pessoal qualificado para a profissão de professor e apoiar iniciativas que visem melhorar sua formação inicial e continuada. Deve igualmente reforçar os mecanismos de controle de qualidade. Já há algum tempo, o Chile recorre amplamente aos princípios de concorrência para assegurar a qualidade dos estabelecimentos escolares, mas esse método teve apenas resultados limitados, em parte porque as regras do jogo são muito desiguais entre as escolas públicas e privadas no que se refere à seleção dos alunos, recrutamento de professores e modos de financiamento. O Chile começa a atacar esses problemas ao proibir a seleção de alunos até o 6º ano de escolaridade. O novo dispositivo nacional para assegurar a qualidade, baseado na avaliação independente de resultados, está sendo implementado e irá completar o conjunto. Enfim, é preciso ajudar os alunos em dificuldade ainda mais do que os outros se o Chile quiser melhorar seus resultados escolares médios e, ao mesmo tempo, fortalecer a equidade. Os poderes públicos colocaram em marcha recentemente reformas de envergadura para investir ainda mais em favor dos filhos de famílias modestas. Esses recursos suplementares podem contribuir para obter progressos consideráveis.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Chile

Português

ALVES, Maria Teresa Gonzaga; SOARES, José Francisco; XAVIER, Flavia Pereira. Desigualdades educacionais no Ensino Fundamental de 2005 a 2013: Hiato entre grupos sociais. Revista Brasileira de Sociologia, v. 4, 2016.

http://www.sbsociologia.com.br/revista/index.php/RBS/article/view/150

Abstract/résumé/resumo: Este artigo descreve as desigualdades de aprendizado entre grupos de alunos definidos pelo sexo, cor e nível socioeconômico, com base nos dados da Prova Brasil de 2005 a 2013. As desigualdades encontradas indicam que a análise de um sistema educacional deve considerar tanto sua qualidade como sua equidade, esta aferida por medidas de desigualdade. Nos municípios brasileiros, as medidas de desigualdade foram analisadas ajustando-se modelos hierárquicos lineares. Apresentam-se apenas os resultados das capitais dos estados, municípios com resultados de qualidade abaixo do esperado, dadas as suas condições socioeconômicas, mas com comportamentos diferentes nas medidas de desigualdades. Onde houve melhoria na qualidade, não houve redução das desigualdades. A melhoria das médias de proficiências tem funcionado como um círculo virtuoso apenas para os grupos sociais mais favorecidos.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Brasil

CASTRO, Jorge Abrahão de. Evolução e desigualdade na educação brasileira. Educação & Sociedade, v. 30, n. 108, out., 2009.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302009000300003&script=sci_abstract&tlng=pt

Abstract/résumé/resumo: Este estudo apresenta a evolução e as desigualdades ainda reinantes nas condições educacionais dos brasileiros. O foco na desigualdade educacional foi adotado por se entender ser esse um dos principais problemas que potencializam a manutenção das enormes desigualdades sociais enfrentadas pela população brasileira. A análise mostrou que, apesar da ampliação que vem ocorrendo, ainda existe no Brasil um baixo acúmulo de escolarização; que, a despeito da diminuição da taxa de analfabetismo, persiste ainda um elevado contingente de analfabetos; que, embora tenha ocorrido ampliação do acesso à Educação Infantil, ainda é muito restrito o acesso às creches e insuficiente para o Ensino Médio; a insuficiência e o desigual desempenho para conclusão dos ensinos fundamental e médio; e o acesso restrito e desigual à educação superior. Além disso, verificou graves níveis de desigualdade quando se consideraram os aspectos regionais e a renda, sendo que os habitantes da região Nordeste e os mais pobres ficaram em pior situação em quase todos os indicadores analisados.

Palavras-chave: educação, desigualdade, desigualdade educacional, escolarização.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Brasil

COSTA, Marcio da; BARTHOLO, Tiago Lisboa. Padrões de segregação escolar no Brasil: um estudo comparativo entre capitais do país. Educação & Sociedade, Campinas, v. 35, n. 129, p. 1.183-1.203, dez., 2014.

http://www.scielo.br/pdf/es/v35n129/0101-7330-es-35-129-01183.pdf

Abstract/résumé/resumo: O artigo analisa padrões de segregação escolar em quatro grandes cidades do Brasil: Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados foram fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e apresentam informações para alunos matriculados no primeiro segmento do ensino fundamental entre 2007 e 2010. Utiliza o Índice de Segregação (Segregation Index) e considera duas características dos alunos: 1) cor; 2) distorção idade-série. Resultados preliminares sugerem que: 1) a cidade de Curitiba apresenta os maiores níveis de segregação escolar, e Rio de Janeiro, os menores; 2) a inclusão das matrículas do ensino privado aumenta os níveis de segregação escolar e seu impacto é maior nos anos mais recentes (2009-2010); 3) há uma associação entre as regras de matrícula nas cidades e os padrões de segregação escolar.

Palavras-chave: segregação escolar. oportunidades educacionais, alistamento escolar, desigualdade educacional.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa:: Cidades de Belo Horizonte, Curitba, Rio de Janeiro E São Paulo

MEDIAVILLA, Mauro; GALLEGO, Liliana. Condicionantes del rendimento académico em la escolaridade primaria em Brasil: um análisis multifactorial. Educação & Sociedade, v. 37, n. 134, p. 195-216, mar., 2016.

http://www.scielo.br/pdf/es/v37n134/1678-4626-es-37-134-00195.pdf

Abstract/résumé/resumo: Una problemática educativa actual en Brasil es el alto porcentaje de alunos em la escolaridad primaria que muestra nun bajo nivel académico. Esta situación justifica el análisis de los determinantes del rendimiento académico en matemáticas para la totalidad de alumnos y su comparación al colectivo con um rendimiento considerado insuficiente. Para ello, se emplea una aproximación lineal y multivariante a partir de los datos contenidos em la base de datos del Sistema de Avaliação da Educação Básica 2005. En conjunto, los resultados obtenidos permiten afirmar que las dimensiones asociadas a la educabilidad resultan determinantes para compreender los rendimientos observados em la educación primaria.

Mots-clés: condicionantes, rendimiento educativo, sistema de evaluación de la educación primaria 2005, Brasil.

Um problema educativo atual no Brasil é a alta porcentagem de alunos na escola primária que apresentam um baixo nível acadêmico. Essa situação justifica a análise de determinantes do rendimento acadêmico em matemática para a totalidade dos alunos e sua comparação ao coletivo com um rendimento considerado insuficiente. Para isso, emprega-se uma aproximação linear e multivariada, a partir dos dados fornecidos pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica 2005. Em conjunto, os resultados obtidos permitem afirmar que as dimensões associadas à educação resultam em determinantes para compreender os rendimentos observados na educação primária.

Palavras-chave: condicionantes; rendimento educacional, sistema de avaliação da educação primária 2005, Brasil.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Brasil

RIBEIRO, Carlos Antonio Costa. Desigualdade de oportunidades e resultados educacionais no Brasil. Dados, Rio de Janeiro, v. 54, n. 1, p. 41-87, 2011.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582011000100002&script=sci_abstract&tlng=pt

Abstract/résumé/resumo: This article analyzes inequality of educational opportunities and outcomes in Brazil. The findings corroborate those of previous studies, pointing to persistent inequalities related to race and class in the Brazilian school system. However, the analyses indicate that parents’ wealth and type of school (public, Federal, or private) are fundamental factors for explaining persistent inequalities. Parents with higher socioeconomic status invest in private elementary and secondary schools for their children in order to facilitate their progression in the system. In other words, in addition to inequality related to family characteristics, inequality is promoted by the educational system itself. The article presents sensitivity analyses to explain the possible effect of unmeasured variables, as well as a methodology to show the effect of educational transitions on inequality in educational outcomes. The author concludes that in order to promote access to educational progression, Brazil needs to improve not only the quality of its schools, but also the living conditions of Brazilian families.

Keywords: inequality, education, wealth, social stratification.

Este artigo analisa as desigualdades de oportunidades educacionais e seus resultados no Brasil. Os resultados corroboram os de estudos prévios apontando uma desigualdade persistente relacionada a raça e classe no sistema escolar brasileiro. Contudo, a análise indica que o nível de riqueza dos pais e o tipo de escola (pública, federal ou privada) são fatores fundamentais para explicar as desigualdades persistentes. Os pais com status socioeconômico mais alto investem em escolas privadas nos níveis fundamental e médio para os filhos, facilitando seu progresso no sistema. Em outras palavras, além da desigualdade relacionada às características familiares, a desigualdade é promovida pelo próprio sistema educacional. O artigo apresenta análises de sensibilidade para explicar o efeito possível de variáveis não medidas, assim como uma metodologia para demonstrar o efeito das transições educacionais na desigualdade dos resultados. O autor conclui afirmando que, para promover o acesso à progressão educacional, o Brasil precisa melhorar não apenas a qualidade das escolas, mas também as condições de vida das famílias brasileiras.

Palavras-chave: desigualdade, educação, riqueza, estratificação social.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Brasil

SOARES, José Franciso; DELGADO, Victor Maia Senna. Medida das desigualdades de aprendizado entre estudantes de ensino fundamental. Estudos em Avaliação Educacional, v. 27, p. 754-780, 2016.

http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/eae/article/view/4101

Abstract/résumé/resumo: Neste artigo, uma situação de igualdade educacional é definida como aquela em que quaisquer grupos de estudantes têm a mesma distribuição de desempenho cujos valores correspondem a aprendizados que os habilitam a uma inserção produtiva e pessoalmente satisfatória na sociedade. O principal objetivo desse texto é introduzir um Indicador de Desigualdades e Aprendizagens Educacionais (IDeA) definido como a distância entre a distribuição ideal de desempenho e a observada em um dado grupo de estudantes. As análises apresentadas mostram que as desigualdades no ensino fundamental brasileiro são muito grandes e que nunca desaparecerão se as melhorias continuarem no ritmo atual.

Palavras-chave: indicadores educacionais, desigualdades educacionais, prova Brasil, ensino fundamental.

Field of research/terrain de recherche/local da pesquisa: Brasil

Inglês

BELL, Genniver C.; JONES, Enid B.; JOHNSON, Joseph F. School Reform: Equal Expectations on an Uneven Playing Field. Journal of School Leadership, v. 12, n. 3, maio, 2002.

https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/105268460201200305

Discusses six themes related to inequalities in education and their impact on student achievement: Social inequities, curriculum and assessment, teacher expectations, teacher allotment inequities, social choice, and funding inequities.

DAESCHNER, Stephen W.; MUNZOZ, Marco A.; BARNES, Joyce A. Meeting the Challenge of Closing the Achievement Gap: What Can We Learn from Urban, High-Poverty/Racially Mixed Schools?. ERS Spectrum, v. 22, n. 3, p. 4-15, Summer, 2004.

https://eric.ed.gov/?id=EJ795731

This article describes lessons learned in a case study of three high-poverty/racially mixed elementary schools in Louisville, Ky. An approach that included: 1) setting specific, measurable goals, 2) frequent monitoring of student work, and 3) applying distributive leadership elements enabled two of the schools to significantly decrease the percentage of students scoring at the lowest performance level on the Kentucky Core Content Test (KCCT)-Reading. The percentage decrease in the number of students scoring at the lowest achievement level and the concomitant increase in the percentage of students scoring at the highest achievement level on the KCCT-Reading were achieved at racially balanced schools where more than 80 percent of the students participate in the free or reduced-price meals program. The article is organized in five major sections. The first presents a brief review of the literature and the theoretical framework that guided this case study; the key concept in this section is equity as student learning. The second section provides a brief description of federal and state legislation associated with ensuring school success for all students. The third section depicts the school district that served as the research site, including analyses of the achievement gap across school levels. The fourth section shows the KCCT-Reading results associated with the case study of three high-poverty/racially mixed schools, including a description of the schools’ sociodemographic characteristics and an analysis of the results by racial and socioeconomic subgroups. The final section offers a set of lessons learned and some practical implications for education administrators.

DARLING-HAMMOND, Linda. New Standards and Old Inequalities: School Reform and the Education of African American Students. Journal of Negro Education, v. 69, n. 4, p. 263-87, Fall, 2000.

https://www.jstor.org/stable/2696245?seq=1#page_scan_tab_contents

Despite the rhetoric of American equality, the school experiences of African American and other minority students in the United States continue to be substantially separate and unequal. Dramatically different learning opportunities-especially disparities in access to well-qualified teachers, high quality curriculum, and small schools and classes-are strongly related to differences in student achievement. Standards-based reforms have been launched throughout the United States with promises of greater equity, but, while students are held to common standards-and increasingly experience serious sanctions if they fail to achieve them-few states have equalized funding and access to the key educational resources needed for learning. This paper outlines current disparities in educational access and proposes reforms needed to equalize opportunities to learn.

FRANCO, C.; SZTAJN, P.; ORTIGÃO, M. I. R. Mathematics teachers, reform and equity: results from the Brazilian national assessment. Journal for Research in Mathematics Education, Reston, v. 38, n. 4, p. 393 - 419, July, 2007.

https://www.jstor.org/stable/30034880?seq=1#page_scan_tab_contents

In this article, we use data from a large-scale Brazilian national assessment to discuss the relation between reform teaching and equity in mathematics education. We study the dimensionality of teaching style to better qualify what reform teaching means. We then use hierarchical linear models to explore whether reform teaching is associated with student achievement in mathematics and with student socioeconomic status (SES). Our results indicate that reform and traditional teaching are not opposite sides of a one-dimensional axis. They also emphasize both that reform teaching is related to higher school average achievement in mathematics and that the dissemination of reform teaching contributes to minimize the achievement gap between students who attend schools with low average SES and students who attend schools with high average SES. However, our results also show that reform is associated with an increase in within-school inequality in the social distribution of achievement.

MARTIN, Christopher; SOLORZANO, Cristian. Mass Education, Privatisation, Compensation and Diversification: Issues on the Future of Public Education in Mexico. Compare, v. 33, n. 1, Mar., 2003.

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03057920302600

The corrosion of public education in Mexico by institutional rigidities and decades of underfunding have placed the system in severe crisis. The rich have opted out and the poor are dropping out of it. The failure of incomplete and politically decentralisations to address poor quality and persistent inequalities have resulted in widespread applause for special compensatory programmes aimed to reach the most underprivileged students. This article argues that the disappointing results are due their sidestepping needed reforms within the system in favour of targeting the students it is incapable of retaining, and an erroneous view of the underprivileged as possessing educational aspirations and abilities completely distinct from the rest of society. The article proposes a more inclusive educational approach to provide high quality education for all.

HEYNEMAN, Stephen P. Student Background and Student Achievement: What Is the Right Question? American Journal of Education, v. 112, n. 1, p. 1-9, Nov., 2005.

https://www.journals.uchicago.edu/doi/10.1086/444512?mobileUi=0

For half a century there have been reports that children of the poor or of some ethnic minorities on average perform worse in school. Some have suggested that these findings demonstrate a failing of education to reduce gaps in adult income and differences in adult socioeconomic status. This article reviews the research internationally and concludes that the debate is outdated. School children in the United States make up only 2 percent of the world’s school children. When considering this question globally, it is discovered that social status is a consistent determinant of school performance, but it is not necessarily true that children of the poor perform systematically worse in school than do children of the rich; results vary by subject, student age, gender, and other factors. Perhaps more important, academics seem to hold schools accountable for the wrong function. The more important purpose of public schooling is to help foster social cohesion. Schools and school systems should be held accountable for their true purpose, and the debate should shift from whether schools narrow the gap in adult incomes to whether schools are effective in fostering social cohesion.

JOE, Emanique M.; DAVIS, James Earl. Parental influence, school readiness and early academic achievement of African American boys. Journal of Negro Education, v. 78, n. 3, p. 260-276, Summer, 2009.

https://www.jstor.org/stable/25608745?seq=1#page_scan_tab_contents

Abstract/résumé/resumo: This study examined the relationship between parental influence and the school readiness of African American boys, using data from the Early Childhood Longitudinal Study: ECLS-K. Parents’ influence, via their academic beliefs and behaviors, was associated with the cognitive performance of African American boys during kindergarten. While previous research has produced similar results, the present study indicates there are differences in which academic beliefs and parenting behaviors are most effective in facilitating school readiness and early achievement. Emphasizing the importance of academic skills for African American boys was associated with higher reading and mathematics achievement as well as prior enrollment in center-based child care. Parenting behaviors, such as discussing science topics, reading books, and discussing family racial and ethnic heritage, differed in their significance in predicting cognitive outcomes. Implications for differences in the kinds of parental involvement in the education of African American boys are discussed.

Este estudo analisa a relação entre influência parental e prontidão escolar de meninos negros, usando dados do Early Childhood Longitudinal Study: ECLS-K. A influência dos pais, via crenças acadêmicas e comportamentos, foi associada com a performance cognitiva de meninos negros durante o jardim de infância. Enquanto pesquisas anteriores mostraram resultados similares, o presente estudo indica que há diferenças entre quais crenças acadêmicas e comportamentos parentais são mais eficientes para facilitar a prontidão escolar e o rendimento inicial. A ênfase na importância das habilidades acadêmicas para os meninos negros estava associada com maior rendimento em leitura e matemática, assim como a matrícula anterior em estabelecimentos de pré-escola. Comportamentos parentais, tais como discutir temas científicos, ler livros e discutir a herança étnico-racial da família diferiram na sua importância em predizer resultados cognitivos. As implicações de diferentes tipos de envolvimento parental na educação de meninos negros foram discutidas.

LEE, Jung-Sook; BOWEN, Natasha K. Parent Involvement, Cultural Capital, and the Achievement Gap among Elementary School Children American Educational Research Journal, v. 43, n. 2, p. 193-2, Summer, 2006.

https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.3102/00028312043002193

This study examined the level and impact of five types of parent involvement on elementary school children’s academic achievement by race/ethnicity, poverty, and parent educational attainment. The sample comprised 415 third through fifth graders who completed the Elementary School Success Profile. Hypotheses from Bourdieu’s theory of cultural capital were assessed with t tests, chi-square statistics, and hierarchical regressions. Consistent with the theory, parents with different demographic characteristics exhibited different types of involvement, and the types of involvement exhibited by parents from dominant groups had the strongest association with achievement. However, contrary to theoretical expectations, members of dominant and nondominant groups benefited similarly from certain types of involvement and differently from others. Implications for research and practice are discussed.

Keywords: Bourdieu, cultural capital, elementary school, habitus, parent involvement.

LUPTON, Ruth; THOMSON, Stephanie. Socio-Economic Inequalities in English Schooling under the Coalition Government 2010-15. London Review of Education, v. 13, n. 2, p. 4-20, Sept., 2015.

https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ1160136.pdf

The reduction of socio-economic inequalities in school outcomes was a major priority of the Coalition Government in England from 2010–15. In this paper we examine the Coalition’s policies and spending, including an analysis of the distributional effect of its pupil premium policy. We also look at trends in outcomes up to 2014. We find that although the pupil premium had a modest overall effect of distributing more money to schools with poorer intakes, this was nested within a wider set of policies which have disadvantaged low income families and children, and that there is evidence of socio-economic gaps widening on some indicators.

Keywords: poverty, inequality, attainment gap, pupil premium, school funding, policy.

OKPALA, Confort; OKPALA, Amon; SMITH, Frederick E. Parental Involvement, Instructional Expenditures, Family Socioeconomic Attributes, and Student Achievement Comfort. The Journal of Educational Research, v. 95, n. 2, p. 110-115, Nov.-Dec., 2001.

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00220670109596579

The influence of parental involvement, socioeconomic status of parents, and instructional supplies expenditures on mathematics achievement scores of Grade 4 students in a low-income county in North Carolina were examined. An educational production function framework was used to analyze the influence of educational resources on mathematics achievement scores. Pearson product-moment correlation and ordinary least squares regression were used to determine the overall strength of each relation and the variables with the greatest impact on mathematics achievement. Results indicated that instructional supplies expenditures per pupil and parental volunteer hours were not statistically significant in explaining mathematics test scores. Furthermore, results showed that the percentage of students in free/reduced-price lunch programs was related negatively to students’ academic performance in mathematics. This finding supports the notion that economic circumstances are correlated with academic achievement.

Keywords: family economics status, instructional expenditures, mathematics achievement, parental involvement

ROSCIGNO, Vincent J. Family/School Inequality and African American/Hispanic Achievement. Social Problems, v. 47, n. 2, p. 266-290, May, 2000.

https://www.jstor.org/stable/3097201?seq=1#page_scan_tab_contents

Analyses of educational achievement and racial gaps, in particular, have demonstrated the importance of family background and school attributes. Little of this work, however, incorporates a broad, multi-level, conceptual and analytic focus; one whereby disadvantages at, and potential linkages between, family and school levels are considered simultaneously. In this paper, I offer a framework that views individuals and societal subgroups as simultaneously embedded in multiple institutional spheres that are potentially interdependent. Such embeddedness and interdependency, I argue, are important for understanding the reproduction of group disadvantage, including that pertaining to educational outcomes. Analyses of Black and Hispanic disadvantages in achievement draw from the National Longitudinal Survey of Youth and its new school and principal component surveys. Baseline family disadvantages (1986) explain a substantial portion of racial variation in math/reading comprehension (1994), while changes in family income and parental education over a five years period (1986–1990) yield notable consequences as well. These effects are strong and direct at the early elementary levels, and partially mediated through earlier patterns of academic achievement for late elementary and middle school students. The addition of school attributes, and modest declines in family effects, suggest that it is partially through (the allocation of children to) schools that general and race-specific family disadvantages are played out. Particularly important are racial inequalities in public/private school enrollment, school social class composition, instructional expenditure, and crime at the school level. I conclude by discussing the implications of my argument and findings for research in the area of education and stratification more broadly.

THOMPSON, Sharon M.; MEYERS, Joel; OSHIMA, T. Chris. Student Mobility and Its Implications for Schools’ Adequate Yearly Progress. The Journal of Negro Education, v. 80, n. 1, p. 12-21, Winter, 2011.

https://www.jstor.org/stable/41341102?seq=1#page_scan_tab_contents

Correlation and regression analyses were used to investigate the relationship of student mobility (as expressed by the school-level mobility rate) and first through fifth grade reading, language arts, and mathematics achievement for a statewide sample of 1062 elementary schools. Comparison data were analyzed to further investigate the relationship of school-level mobility rate and achievement for schools that met adequate yearly progress (AYP), a mandate of the No Child Left Behind Act of 2001, and those that did not meet AYP. Findings indicated moderate, negative correlations between mobility rate and achievement across grade levels and subject areas; modest, negative correlations between achievement and mobility when school enrollment size or school poverty status were controlled; and, no significant differences in mobility rate, school size and poverty status for schools that met AYP when compared to schools that did not meet AYP.

VAN DE GRIFT, Wim; HOUTVEEN, Thoni. Weaknesses in Underperforming Schools. Journal of Education for Students Placed at Risk, v. 12, n. 4, p. 383-403, Dec., 2007.

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10824660701758942

In some Dutch elementary schools, the average performance of students over several years is significantly below the level that could be expected of them. This phenomenon is known as “underperformance.” The most important identifiable weaknesses that go along with this phenomenon are that (a) learning material offered at school is insufficient to achieve core targets, (b) insufficient time is allowed for reaching the minimum objectives of the curriculum, © instructional quality is poor, (d) insight into students’ performance levels is insufficient, (e) insufficient or inappropriate special measures are taken for struggling learners, and (f) the school is experiencing prolonged dysfunctional organization. In most schools with underperformance problems, these weaknesses do not appear singly, but in combination with other factors. In underperforming schools, one also finds more instability in the school’s leadership team; high mobility and frequent fluctuations in enrolment and staffing; and high percentages of children at risk due to multiple risk factors, including student learning ability, poverty, ethnic minority status, first language, and other factors.

VOIGHT, Adam; SHINN, Marybeth; NATION, Maury. The Longitudinal Effects of Residential Mobility on the Academic Achievement of Urban Elementary and Middle School Students. Educational Researcher, v. 41, n. 9, p. 385-392, Dec., 2012.

https://journals.sagepub.com/stoken/rbtfl/NVLhAVW7ZKuew/full

Residential stability matters to a young person’s educational development, and the present housing crisis has disrupted the residential stability of many families. This study uses latent growth-curve modeling to examine how changing residences affects math and reading achievement from third through eighth grade among a sample of urban elementary and middle-school students. Results show that residential moves in the early elementary years have a negative effect on math and reading achievement in third grade and a negative effect on the trajectory of reading scores thereafter. Further, there is a negative contemporaneous effect of mobility on math scores in third through eighth grade but no such contemporaneous effect on reading scores. Implications for research and practice are discussed.

Keywords: achievement, at-risk students, longitudinal studies, poverty, social context, urban education.

WILSON, Clancie Mavello. The Relation among Parental Factors and Achievement of African American Urban Youth. The Journal of Negro Education, v. 78, n. 2, p. 102-113, Spring, 2009.

https://www.jstor.org/stable/25608727?seq=1#page_scan_tab_contents

Research has suggested that low socioeconomic status is a major factor in diminishing academic achievement of African American urban youth; however, there are other factors influencing students’ achievement. To examine the other factors that contribute to academic achievement, this study investigated a sample of 60 low-resource middle school parents and students (41 boys and 19 girls). Several questions addressed the relationship of socioeconomic status to achievement, academic support, social support, and mother’s well-being. Additionally, the relation among mother’s well-being, students’ perceived monitoring by their parents, and negative learning attitudes were examined, as well as the relationship among social support and parents’ well being and academic achievement, negative learning attitudes and achievement. Although several factors were examined, only those factors with significant relationships will be discussed.

WOLHUTER, C. C. Weaknesses of South African Education in the Mirror Image of International Educational Development. South African Journal of Education, v. 34, n. 2, 2014.

http://www.scielo.org.za/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0256-01002014000200005

The aim of this article is to present a systematic, holistic evaluation of the South African education system, using international benchmarks as the yardstick. A theoretical model for the evaluation of a national education project is constructed. This consists of three dimensions, namely: a quantitative dimension, a qualitative dimension, and an equality dimension. International databases and the existing international taxonomies of national education systems are then used to evaluate the South African education system, along the three dimensions of the model. It is found that the weakest links are the facts that primary and secondary education enrolment ratios are not followed through to the higher education level; that input, particularly financial input, does not render a commensurate return in terms of the quality of teaching and learning, and learning outcomes; that the administrative component of the system and teacher input appear to be the two weak links in the system in this regard; and that stark inequalities exist in the education system. In conclusion, some recommendations for the improvement of practice and for further research are made.

Keywords: educational quality, equal educational opportunities, International Association of Educational Achievement (IEA) studies, international classifications of national education systems, Programme for International Student Assessment (PISA) studies, Second Information Technology in Education Study (SITES) study, South African education system, Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS) studies.

Francês

HOHL, Janine. « Qui sont « les parents »? Le rapport de parents immigrants analphabètes à l’école. » Lien social et Politiques, n. 35, p. 51-62, Printemps, 1996.

https://www.erudit.org/fr/revues/lsp/1996-n35-lsp346/005126ar/

Cet article étudie les relations entre les familles et l’école à partir du cas particulier et extrême de parents immigrants analphabètes. Il met en évidence des malentendus entre ces familles et l’institution scolaire à propos du type de participation attendue des parents et du poids relatif des fonctions de scolarisation et de socialisation assignées à l’école.

KHERROUBI, Martine; ROCHEX, Jean-Yves. Note de synthèse [La recherche en éducation et les ZEP en France. Politique ZEP, objets, postures, et orientations de recherche]. Revue française de pédagogie, v. 140, n. 1, p. 103-132, 2002.

https://www.persee.fr/docAsPDF/rfp_0556-7807_2002_num_140_1_2905.pdf

Outre les difficultés spécifiques à toute entreprise de ce genre, la réalisation d’une note de synthèse sur La recherche en éducation et les Zones d’Éducation Prioritaires s’avère une tâche complexe et malaisée pour un faisceau de raisons qui tiennent : d’une part, à cette politique elle-même, à ses aléas et évolutions, mais aussi à ses liens avec les transformations du paysage éducatif et avec les politiques éducatives et urbaines mises en œuvre durant les deux dernières décennies, et donc aux contours flous et au caractère difficilement délimitable d’un objet et d’un champ de recherche que ne suffit évidemment pas à définir la seule catégorie politico-administrative ZEP ; d’autre part, aux évolutions et débats propres à la recherche en éducation et à la construction de ses problématiques et objets, ainsi qu’à ses rapports complexes avec les univers et les logiques de l’évaluation, de la décision et de la réflexion politiques, ou encore de l’action quotidienne des acteurs.

KUPIE, Mathias ; MISANGUMUKINI, Nicaise. « Environnements économique et éducatif des ménages et difficultés scolaires des enfants au Mali. » L’Actualité économique, v. 88, n. 4, p. 403-428, déc., 2012.

https://www.erudit.org/fr/revues/ae/2012-v88-n4-ae01274/1023796ar/

L’objectif de cette étude est de mesurer l’importance de l’environnement familial des élèves (sous sa double dimension économique et éducative) sur le risque d’échec scolaire au Mali. Nous mobilisons les données de l’enquête ELIM-2006 qui présentent l’avantage de disposer de plusieurs indicateurs du niveau de vie et du capital éducatif des ménages que nous introduisons simultanément dans les estimations. Les résultats indiquent que les contraintes de ressources permanentes pèsent plus sur la scolarité des filles que des garçons. De même la réussite scolaire des filles est sensible au capital éducatif des adultes secondaires du ménage, ce qui n’est nullement le cas chez les garçons.

MAISONNAVE, Hélène ; DECALUWÉ, Bernard. Politique éducative et marché du travail en Afrique du Sud. Une analyse en EGC. Recherches économiques de Louvain, v. 76, n. 3, 2010.

https://www.cairn.info/revue-recherches-economiques-de-louvain-2010-3-page-289.htm?contenu=resume

Cet article analyse l’impact d’une augmentation des dépenses publiques en éducation sur la performance du système éducatif sud africain et ses conséquences sur le marché du travail en utilisant un Modèle d’Equilibre Général Calculable (MEGC) en dynamique séquentielle. Le système éducatif sud africain porte les stigmates de l’Apartheid et une intervention publique plus accentuée est l’un des moyens envisagés pour corriger les inégalités héritées de l’ancien régime politique. Nos résultats montrent une amélioration des performances des étudiants et des effets positifs à court terme sur l’économie. A long terme, la population sud africaine, et en particulier les African, devient plus qualifiée, mais l’économie ne créant pas suffisamment d’emplois, une partie de ces nouveaux qualifiés se retrouve au chômage.

MURAT, Fabrice. Le retard scolaire en fonction du milieu parental: l’influence des compétences des parents. Economie et Atatistique, v. 424, n. 1, p. 103-124, 2009.

https://www.persee.fr/doc/estat_0336-1454_2009_num_424_1_8033

La sociologie de l’éducation met souvent en avant les inégalités de réussite scolaire en fonction de la profession du père. Cependant, d’autres facteurs, comme le revenu du ménage ou les diplômes des parents, ont aussi leur importance. Ces diplômes sont généralement interprétés comme la dimension «culturelle» du capital parental. Or cette dimension peut être appréhendée de bien d’autres façons: pratiques culturelles, connaissance du système scolaire, compétences… Sur ce dernier aspect, le présent article apporte pour la première fois un éclairage statistique grâce à l’exploitation de l’enquête Information et Vie Quotidienne (IVQ). Les parents les moins compétents en lecture et en calcul ont des enfants qui redoublent plus souvent que les autres. Cette corrélation persiste même quand on contrôle les autres caractéristiques disponibles: diplômes, revenu, profession… Elle prend une forme différente selon le sexe du parent considéré. Il vaut mieux avoir un père bon en mathématiques et une mère bonne en français que l’inverse. Cela indique peut-être un partage de l’aide scolaire: les pères suivant les devoirs de mathématiques et les mères ceux de français. Cependant, les compétences ne sont pas les seules caractéristiques liées au retard scolaire. Des écarts importants apparaissent aussi selon les diplômes des parents, le revenu du ménage et ses pratiques culturelles.

OCDE. Chapitre 2. Pour un enseignement efficient et équitable. Etudes économiques de l’OCDE, v. 18, n. 18, 2005.

https://www.cairn.info/revue-etudes-economiques-de-l-ocde-2005-18-page-51.htm

Ce chapitre examine la performance des services d’enseignement au Mexique jusqu’au deuxième cycle du secondaire. Il évalue à la fois l’efficience (les résultats obtenus par rapport aux sommes investies) et l’équité du système. Il en ressort que le système éducatif doit être encore amélioré de manière à réduire plus rapidement le déficit de capital humain par rapport aux autres pays de l’OCDE et à mieux préparer les enfants à vivre et travailler dans une économie moderne. Les Mexicains passent relativement peu d’années sur les bancs de l’école, et la qualité de l’enseignement qu’ils y reçoivent est plus faible que dans les autres pays de l’OCDE. Cette médiocre performance est à mettre au compte non pas tant du manque de ressources, mais plutôt d’une certaine inefficacité, d’une mauvaise allocation des dépenses, et du manque d’incitations motivant les personnels enseignants. Ce chapitre formule des recommandations spécifiques pour améliorer le système. Les efforts actuels des pouvoirs publics vont dans la bonne direction mais ils ne sont pas suffisants.

OCDE. Chapitre 4. Améliorer les performances du système éducatif. Etudes économiques de l’OCDE, v. 15, n. 15, p. 135-168, 2009.

https://www.cairn.info/revue-etudes-economiques-de-l-ocde-2009-15-page-135.htm?contenu=resume

En dépit des progrès réalisés ces dernières décennies, les indicateurs de l’éducation de la Grèce sont en retrait par rapport à ceux des autres pays de l’OCDE. Les résultats de l’exercice PISA sont médiocres, un pourcentage élevé d’étudiants effectuent leurs études supérieures à l’étranger et les taux de réussite sont faibles à tous les niveaux. Pareillement, les ressources consacrées à l’éducation sont modestes. L’accueil et l’éducation de la petite enfance sont très peu développés, ce qui se répercute sur les performances éducatives ultérieures, le système de prise en charge des tout jeunes enfants est sous-développé et peu régulé, et la séparation administrative opérée entre l’éducation préscolaire et la garde des tout jeunes enfants est source d’inefficacités. La qualité de l’enseignement primaire et secondaire reflète le manque d’incitation à la performance pour le corps enseignant, les carences des programmes scolaires et le manque d’autonomie et de responsabilité des établissements scolaires. Cela conduit les parents à faire donner des cours privés complémentaires à leurs enfants pour les préparer aux examens universitaires. Le système universitaire est rigide et ne dispose pas d’un mécanisme d’évaluation performant. Les réformes récentes se sont attaquées à certains de ces problèmes, mais cela ne suffit pas. Les performances du système éducatif pourraient être améliorées en donnant plus d’autonomie aux écoles et aux universités et en augmentant le niveau de responsabilité, par exemple en évaluant les performances des enseignants et en introduisant des examens nationaux standard à un plus grand nombre de niveaux d’études. Dans l’enseignement supérieur, un cadre plus flexible autoriserait une meilleure réactivité à l’évolution de la demande et se traduirait par un gain qualitatif. Les performances du système éducatif pourraient également être améliorées en prenant davantage d’initiatives pour compenser les effets d’antécédents défavorables sur les performances. Les établissements scolaires devraient en outre s’assurer que leurs programmes permettent aux élèves d’acquérir les compétences requises pour réussir dans leur vie postscolaire, ce qui passe notamment par une plus grande attractivité de l’enseignement technique et professionnel.

Português

ALVES, Maria Teresa Gonzaga; SOARES, José Francisco; XAVIER, Flavia Pereira. Índice socioeconômico das escolas de educação básica brasileiras. Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educ. [online]. v. 22, n. 84, p.671-703, 2014.

http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v22n84/a05v22n84.pdf

Este artigo apresenta a metodologia e os resultados do desenvolvimento de um índice de nível socioeconômico das escolas de educação básica do Brasil. Os dados provêm dos questionários contextuais aos quais os alunos respondiam nas avaliações educacionais feitas pelo governo federal nesse nível de ensino. Foram consideradas as respostas válidas de 20.806.062 alunos em 21 bases de dados. Para estimar o índice, itens relacionados às dimensões de escolaridade e ocupação dos pais do aluno e da renda familiar foram agregados, empregando-se um modelo da Teoria da Resposta ao Item. Os resultados foram validados mostrando-se fidedignos. Correlações com outros índices semelhantes são positivas e altas. A correlação com a renda per capita dos municípios revela que a realidade nacional vista por um indicador econômico e um indicador obtido pelas respostas a um questionário é, no nível macro, a mesma. A avaliação de especialistas em diferentes localidades do país coincide com a retratada pelo indicador.

Palavras-chave: nível socioeconômico das escolas, educação básica, desigualdades educacionais.

ALVES, Thiago; SILVA, Rejane Moreira da. Estratificação das oportunidades educacionais no Brasil: contextos e desafios para a oferta de ensino em condições de qualidade para todos. Educ. Soc., Campinas, v. 34, n. 124, p. 851-879, set., 2013.

http://www.scielo.br/pdf/es/v34n124/11.pdf

O artigo visa descrever alguns aspectos da desigualdade nas oportunidades educacionais no Brasil. A análise descritiva e quantitativa utilizou microdados do Censo, PNAD e Censo Escolar. Verificou-se que 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos não frequentavam a escola em 2010, majoritariamente os mais pobres, negros e que vivem no campo. Estimou-se um aporte de R$ 11,8 bilhões anuais para inseri-los no sistema. A análise no nível municipal sugere uma associação positiva entre melhor nível socioeconômico da população e os contextos com melhores condições de oferta e resultados educacionais. Igualmente, verificou-se que o uso de medidas estatísticas que retratam as realidades educacionais em nível nacional ou estadual, muitas vezes, encobre severas desigualdades existentes no nível municipal.

Palavras-chave: desigualdade das condições de oferta de ensino, qualidade do ensino, sistema público de educação básica, políticas educacionais.

BASSO, Andreza Cristina Moreira da Silva; RODRIGUES, Carolina Ferrreira; BROOKE, Daniel Aguiar de Leighton; VIGNOLI, Daniel Araújo; CANDIAN, Juliana Frizzoni; REZENDE, Wagner Silveira. Desigualdade de desempenho e raça: uma análise a partir do Paebes 2009. Estudos em avaliação educacional, v. 23, n. 51, 2012.

http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/eae/article/view/1946/1927

A pesquisa procura demonstrar o papel da raça na explicação de diferenciais de desempenho, avaliado pela proficiência, entre alunos da rede pública do Espírito Santo. Não tem a pretensão de determinar os mecanismos que operam na manutenção dessa desigualdade, mas objetiva enfatizar que raça é uma dimensão importante na compreensão das desigualdades educacionais, responde a diferenças consideráveis de proficiência e deve ser considerada nas tentativas de explicá-las.

Palavras-chave: desigualdades educacionais, raça, desigualdades sociais, rendimento escolar.

BONAL, Xavier. Incentivos a la demanda y racionalidades de elección escolar: reflexiones en entornos de pobreza. Em Aberto. v. 30, n. 99, 2017.

http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/view/3254

Durante las últimas décadas hemos sido testigos de un creciente protagonismo de las políticas educativas centradas en la demanda para mejorar el acceso y las condiciones de escolarización de los pobres. Entre ellas, las políticas de voucher o bono escolar han desempeñado un papel destacado como mecanismo para mejorar la elección de escuela y la competencia entre los centros escolares. Los actores que abogan por estas políticas y las impulsan, como el Banco Mundial (BM), los gobiernos nacionales o las empresas privadas comparten una interpretación común acerca de las formas en que los pobres responden a las políticas basadas en incentivos de mercado. Este artículo desarrolla una crítica de la supuesta racionalidad instrumental de las políticas y programas que se centran en incentivos de mercado para influir en la demanda educativa de los pobres. En la primera parte, el artículo describe las principales características de las políticas educativas orientadas a la demanda y proporciona una interpretación de la racionalidad instrumental incorporada en la teoría del cambio de estas políticas. En la segunda parte del documento, se presentan y discuten marcos alternativos para interpretar las respuestas de los pobres a los incentivos de mercado. La última sección del documento reflexiona sobre las implicaciones políticas significativas de esta discusión para las reformas globales de la educación.

Palavras-chave: pobreza; racionalidad; incentivos de mercado; políticas educativas; globalización.

CARPENTIER, Claude. As desigualdades escolares na África do Sul: força das coisas e política educativa (o exemplo da Província do Cabo). Educ. Rev. [online]. n. 48, 2008.

http://www.scielo.br/pdf/edur/n48/a09n48.pdf

A questão da aplicação das decisões políticas subsiste tanto no campo da educação quanto fora dele. Frequentemente, ela se coloca de forma mais aguda quando são constatadas distorções entre orientações adotadas e resultados alcançados, normalmente vividos como grandes traições. Como pano de fundo para essa questão, consideramos a capacidade das políticas de se curvarem à “força das coisas”, isto é, ao peso de determinantes econômicos e sociais ou ao que é apresentado como tal. A mudança política que ocorreu na África do Sul em 1994 está na origem de um debate no país cuja aposta é saber se as decisões tomadas visando a erradicar as discriminações herdadas do passado em matéria de acesso à educação foram efetivadas dez anos mais tarde ou se estão sendo aplicadas. Para tanto, tentamos avaliar, por meio da análise de dados oficiais disponíveis para a Província do Western Cape, o peso da “força das coisas”. Três preocupações se exprimem em nossa pesquisa: determinar, primeiramente, a amplitude da desagregação racial institucional da escola após o período do apartheid; apreender, em seguida, o peso dos determinantes sociais que estão em sua base, além das diferenciações raciais, a persistência de fortes desigualdades sociais no acesso à educação; e questionar, enfim, a capacidade que tem o aparelho político para controlar e em que medida essa “força das coisas”, que provavelmente exprime tanto as heranças do passado quanto o próprio funcionamento da sociedade sul-africana, é atravessada hoje por imposições da globalização e pela perenização das desigualdades socioeconômicas que lhe estão associadas.

Keywords: política educacional; segregação racial; desigualdades socioeconômicas.

FRANCO, Creso et al. Qualidade e equidade em educação: reconsiderando o significado de “fatores intraescolares”. Ensaio: aval. pol. públ. Educ. [online], v. 15, n. 55, p. 277-298, 2007.

http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v15n55/a07v1555.pdf

Resumo: O artigo investiga quais características escolares estão associadas ao aumento do desempenho médio das escolas medido por meio dos testes de matemática, da 4ª série do Ensino Fundamental, pelo SAEB 2001. Investiga, especificamente, características escolares promotoras de eficácia escolar e de equidade intraescolar, e identifica e avalia o efeito sobre a equidade de características escolares associadas, simultaneamente, à eficácia escolar e ao aumento das desigualdades dentro das unidades escolares. Palavras-chave: fatores intraescolares, eficácia escolar, equidade intraescolar, educação fundamental.

GARCIA, Adir Valdemare; HILLESHEIM, Jaime. Pobreza e desigualdades educacionais: uma análise com base nos Planos Nacionais de Educação e nos Planos Plurianuais Federais. Educ. Rev. [online]., n.spe.2, 2017.

http://www.scielo.br/pdf/er/nspe.2/0104-4060-er-02-00131.pdf

As desigualdades educacionais constituem grave problema na sociedade brasileira e estão relacionadas à estrutura socioeconômica do país, sendo a pobreza sua expressão mais explícita. Por sua natureza, os instrumentos de planejamento e gestão do Estado apresentam as propostas para a administração do país, dentre elas as que visam enfrentar as desigualdades sociais e educacionais e a pobreza. No artigo, os autores problematizam como esses temas são apresentados nos Planos Nacionais de Educação (PNEs), de 2001-2010 e 2014-2024, e quais proposições são vislumbradas para o seu enfrentamento. Numa análise comparativa, procuram traçar relação entre as proposições consignadas nos PNEs e as constantes nos três Planos Plurianuais (PPAs) federais no período de 2004 a 2015. O PNE é o instrumento que define as diretrizes e as metas para a gestão e o financiamento da educação. O PPA tem a função de organizar e viabilizar a ação pública por meio de diretrizes, objetivos e metas que devem balizar a elaboração das Leis Orçamentárias Anuais (LOA). A pesquisa em desenvolvimento evidencia que, nos períodos aludidos, os PNEs e os PPAs caracterizaram-se por formalmente apresentar propostas de ampliação das políticas sociais voltadas para o combate à pobreza e à diminuição das desigualdades sociais e educacionais a partir de diversos programas sociais, especialmente do Programa Bolsa Família. Os temas, conceitos e ações encontrados nos instrumentos de gestão analisados são problematizados à luz de referenciais da teoria social crítica.

Palavras-chave: desigualdades educacionais, pobreza, Plano Nacional de Educação, Plano Plurianual.

GENTILI, Pablo. O direito à educação e as dinâmicas de exclusão na América Latina. Educ. Soc., Campinas, v. 30, n. 109, dez., 2009.

http://www.scielo.br/pdf/es/v30n109/v30n109a07.pdf

O presente artigo analisa o complexo processo de produção social da exclusão e seus efeitos no direito à educação. O autor descreve e interpreta três dinâmicas que interferem na realização desse direito nos países da América Latina e no Caribe: a pobreza e a desigualdade estruturais; a segmentação e a diferenciação dos sistemas nacionais de educação; e os sentidos que assume o direito à educação numa cultura política marcada pelo desprezo aos direitos humanos e pela redução do valor da escolaridade aos efeitos que ela tem na concorrência pelos melhores postos no mercado de trabalho. O texto propõe redefinir a radicalidade do direito à educação como um direito humano fundamental, base para a construção de sociedades mais justas e igualitárias.

Palavras-chave: direito à educação, exclusão social e educação, direitos humanos e educação, política educacional na América Latina, sistemas nacionais de educação.

GRAMANI, Maria Cristina. A desigualdade socioeconômica afeta mais municípios menos favorecidos?. Cadernos de Pesquisa [online], v. 47, n. 164, 2017.

http://www.scielo.br/pdf/cp/v47n164/1980-5314-cp-47-164-00470.pdf

Este estudo busca analisar o panorama da educação básica em um país emergente que se caracteriza, por um lado, pelo elevado desenvolvimento econômico, e, por outro, pela alta desigualdade socioeconômica. Um modelo de dois estágios é utilizado, sendo que o primeiro estágio usa variáveis diretamente relacionadas à educação para capturar a eficiência educacional de cada município, e o segundo emprega a regressão Tobit a fim de estimar a influência das variáveis ambientais (não discricionárias) sobre a eficiência educacional encontrada no primeiro passo. Um agrupamento dos municípios em clusters foi implementado para assegurar uma comparação justa entre municípios homogêneos. Os resultados mostram discrepâncias significativas na influência de variáveis socioeconômicas no resultado educacional, dependendo da prosperidade de cada cluster.

Palavras-chave: Data Envelopment Analysis (DEA); eficiência educacional, educação básica, desigualdade social.

MARTINS, Eliana; ALMEIDA, Ney. A expansão desigual das ofertas educacionais no Brasil no século 21. Em Aberto, v. 30, n. 99, 2017.

http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/view/3356/pdf

Ensaio sobre o processo de expansão desigual das ofertas educacionais no Brasil ao longo dos últimos 20 anos. Um componente estrutural dessa expansão é a diferenciação das formas de acesso asseguradas pela legislação estatal, que regula a interdependência entre natureza pública e privada nas três esferas governamentais que compõem o sistema educacional. A relação entre educação e pobreza não traduz mais um discurso de adesão e sustentação ideológica forte, como ocorreu em outros períodos, visto que não encontra parâmetros reais na trajetória de uma política social que se expande em diferentes níveis e modalidades como campo de valorização e sob a hegemonia do capital financeiro.

Palavras-chave: pobreza, educação, Estado.

PASSOS, Guiomar de Oliveira; GOMES, Marcelo Batista. Nossas escolas não são as vossas: as diferenças de classe. Educ. Rev. [online], v. 28, n. 2, 2012.

http://www.scielo.br/pdf/edur/v28n2/a16v28n2.pdf

O texto aborda as relações entre sistema de ensino e classes sociais, partindo de Bourdieu e valendo-se de estudos sobre a escolarização nas classes sociais no Brasil. Extraíram-se, dos elementos empíricos, as constatações e análises sobre significado da escola e processos de escolarização de grupos sociais, buscando princípios gerais ou pistas de investigação. É um esforço de sistematização para dispor de um quadro de referência para a investigação dos sistemas de ensino, particularmente os processos de escolarização. Verificou-se a comprovação do paradigma bourdieusiano de que, quando a riqueza é distribuída de forma desigual, os modos dos grupos e classes se relacionarem com o sistema de ensino dependem de suas propriedades e da importância dos bens culturais no conjunto das posses. A desconsideração disso faz do sistema de ensino instrumento da distribuição desigual das riquezas, em que são favorecidos os que dispõem de condições prévias à sua recepção e acumulação e são excluídos os que não as possuem.

Palavras-chave: escolarização, sistema de ensino, classes sociais.

SOARES, José Francisco; ANDRADE, Renato Júdice de. Nível socioeconômico, qualidade e equidade das escolas de Belo Horizonte. Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educ. [online], v. 14, n. 50, 2006.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-40362006000100008&script=sci_abstract&tlng=pt

Entre os fatores que impactam o desempenho cognitivo dos alunos da educação básica destacam-se sua família, as estruturas da sociedade e a escola em que ele estuda. A forma de medir esses fatores sofreu enorme impacto com a popularização de duas novas técnicas estatísticas: a Teoria de Resposta ao Item (TRI) e os modelos de regressão para dados hierárquicos. Neste trabalho apresentam-se três medidas caracterizadoras de uma escola; sua posição construída com ajuda da TRI a partir de indicadores fornecidos pelos alunos, medidas da qualidade e medidas da equidade criadas com ajuda dos modelos hierárquicos. A base de dados utilizada é composta por informações provenientes dos questionários socioeconômicos e pelas medidas de desempenho cognitivo dos estudantes das escolas de Belo Horizonte presentes no SIMAVE 2002 e nos vestibulares da UFMG em 2002, 2003 e 2004. A análise da qualidade das escolas de Belo Horizonte, por meio de modelo em que a influência do nível socioeconômico no desempenho dos alunos é controlada, mostra uma dimensão otimista da realidade. Algumas escolas, públicas e privadas, pelas suas políticas e práticas pedagógicas, conseguem fazer a diferença no desempenho de seus alunos mesmo quando eles são socioeconomicamente desfavorecidos. Por outro lado, hoje o sistema de educação básica de Belo Horizonte só consegue produzir qualidade na presença de alta iniquidade. O acesso está garantido, mas apenas alguns terminam a educação básica com desempenho nos níveis de desempenho adequados.

Palavras-chave: nível socioeconômico, efeito escola, avaliação de sistemas.

TAVARES JÚNIOR, Fernando; MONT’ALVÃO, Arnaldo; NEUBERT, Luiz. Rendimento escolar e seus determinantes sociais no Brasil. Revista Brasileira de Sociologia (RBS), v. 3, n. 6, 2015.

http://www.sbsociologia.com.br/rbsociologia/index.php/rbs/article/view/202

Este estudo analisa o rendimento educacional a partir das chances de estudantes realizarem as transições na educação básica (fundamental e média) no Brasil. Baseando-se em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1999 e 2013, foram computados modelos Logit sequenciais no intuito de estimar as mudanças no efeito das origens sociais sobre as transições. Os principais resultados apontam que, embora ainda persistam desigualdades socioeconômicas e de cor, houve diminuição desses efeitos ao longo dos últimos anos, o que indica a diminuição das barreiras socioeconômicas para o fluxo dos estudantes.

YANNOULAS, Silvia Cristina; ASSIS, Samuel Gabriel; FERREIRA, Kaline Monteiro. Educação e pobreza: limiares de um campo em (re)definição. Rev. Bras. Educ. [online], v. 17, n. 50, p. 329-351, 2012.

http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v17n50/v17n50a05.pdf

O artigo discute a produção acadêmica contemporânea brasileira sobre a relação entre educação formal e situação de pobreza, a partir da procura em três fontes: Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e o Google Acadêmico. Também foram analisados dados sobre os autores, utilizando a Plataforma Lattes e o Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os objetivos da pesquisa foram: a) propiciar um levantamento (localização e sistematização) da produção científica elaborada no contexto das ciências sociais e humanas sobre a relação entre situação de pobreza e educação formal; b) estabelecer uma tipologia (comparação e diferenciação) das formas que assume a mencionada relação na visão dos pesquisadores e pesquisadoras; e c) analisar as questões de gênero, raça/cor e classe social (identificação e consideração) envolvidas na relação entre a pobreza e a educação formal nessa produção científica. Os resultados mostram que há um interesse crescente na relação entre educação formal e situação de pobreza, com maior concentração das publicações nas áreas disciplinares de educação, economia, saúde e serviço social. A frequência com que o mesmo autor ou um mesmo grupo foi registrado é baixa, indicando uma alta rotatividade de interessados na temática. Os assuntos mais discutidos foram “Bolsa Escola, Bolsa Família ou outro programa de transferência de renda” e “exclusão social e desigualdade social”. Foram encontradas 13 maneiras diferentes de se relacionar a educação e a pobreza, sendo predominantemente: a “escolaridade como condição da mudança na situação de pobreza”.

Palavras-chave: educação formal, situação de pobreza, gênero, classe socioeconômica, raça/cor.

XAVIER, Flavia Pereira; ALVES, Maria Teresa Gonzaga. A composição social importa para os efeitos das escolas no ensino fundamental? Estudos em avaliação educacional. v. 26, n. 61, 2015.

http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/eae/article/view/2933

O artigo analisa o efeito das escolas públicas brasileiras de ensino fundamental para o aprendizado de seus alunos, considerando o contexto socioeconômico e a composição do alunado por gênero e raça. Os alunos foram distribuídos em três níveis de proficiência: insuficiente, básico e adequado. Os que estão no nível insuficiente são considerados excluídos, uma vez que o seu direito à educação não é atendido. Utilizaram-se os dados de 2007, 2009 e 2011 da Prova Brasil. Os principais resultados indicam que os efeitos das escolas para a retirada dos alunos da exclusão e para sua promoção ao nível adequado de aprendizagem estão associados às características de composição social dessas escolas em termos de raça e gênero, independentemente do nível socioeconômico médio da escola. Tal composição também afeta as chances individuais de os alunos serem retirados da exclusão e promovidos ao nível de adequação.

Palavras-chave: efeitos das escolas, desigualdades escolares, níveis de proficiência, ensino fundamental.